- A moda volta a valorizar o ato de vestir, com peças ultraelaboradas que priorizam a experiência e o prazer de se vestir.
- Matthieu Blazy, à frente da Chanel, e Jonathan Anderson, da Dior, lideram um movimento que prioriza a experiência do vestir em vez da imagem imediata.
- Desfiles mostram looks com várias peças, tecidos, aviamentos e acabamentos que chegam perto da couture em termos de experimentação e qualidade.
- Especialistas dizem que o luxo passa a valorizar construção, processo e experiência, não apenas o preço ou o status visual.
- A tendência aponta para um retorno do encanto e da descoberta na moda, exigindo tempo, técnica e mão de obra especializada, abrindo espaço para inovação gradual.
Ao longo de anos, a moda priorizou o desempenho no feed, transformando roupas em mídia. Hoje surge um momento em que o encantamento retorna, com peças ultra elaboradas que valorizam a experiência de vestir.
A aposta vem de nomes como Matthieu Blazy, da Chanel, e Jonathan Anderson, da Dior, que lideram um movimento rumo a roupas menos dependentes da imagem imediata e mais focadas na relação com quem veste.
A mudança aparece nos ateliers: looks complexos combinam várias peças, texturas e acabamentos que revelam segredos apenas de perto, deslocando o foco do registro para a experiência tátil.
Na Chanel, os desfiles de Blazy exibem conjuntos com jaquetas de tweed sobrepostas a outras peças, com forros estampados coordenados aos tecidos, além de detalhes como silicone aplicado sobre gaze de linho.
Na Dior, Anderson explora a couture dentro do prêt-à-porter, com bar jackets encurtadas, camadas de babados e botões forrados, acompanhados de bordados minuciosos em cada peça.
Para o público, o sentido geral é de satisfação sensorial: textura, peso, toque e surpresa passam a moldar a percepção de valor do conjunto, não apenas o visual na tela.
Especialistas destacam que esse tipo de vestuário reforça o valor da construção e do processo criativo, ao contrário de itens de branding evidente, como monogramas.
A nova linguagem estética funciona como convite: a peça precisa ser vista de perto para que seus códigos se revelem aos poucos, afirma a diretora de moda de uma publicação brasileira.
Essa linha favorece a experiência individual, com a moda retornando a um espírito de descoberta e prazer ao vestir, segundo o consenso entre estudiosos.
No mercado de luxo, a produção mais sofisticada se liga à percepção de valor pela qualidade e pelo tempo investido, não apenas pelo preço ou status imediato.
Ainda que nem todas as marcas consigam adotar esse nível de complexidade, o espírito pode inspirar abordagens mais criativas, com pequenas surpresas e recursos técnicos.
Segundo especialistas, essa tendência sinaliza uma rerealização da moda como experiência, diferentemente de slogans visuais ou de códigos de identidade tão difundidos.
O desfecho possível é que a indústria encontre um meio-termo: itens com assinatura artesanal, mas com distribuição mais ampla, mantendo o fascínio sem perder a viabilidade econômica.
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