- O Fórum Unesp 50 anos, organizado pela Editora da Unesp, começou hoje (13) e traz Mo Yan, Nobel de Literatura de 2012, ao auditório.
- Mo Yan explicou a mudança de nome, que significa “não falar”, e contou sobre suas origens em Ping’an, Gaomi, Shandong.
- O escritor associa rios ao tempo e aos sentimentos dos personagens, destacando que obras grandiosas costumam ter referências fluviais.
- Afirmou que há forte influência da oralidade e do teatro local na região, com personagens como generais surgindo nos palcos de inverno.
- O fórum segue até sexta-feira (15) e reúne especialistas nacionais e estrangeiros, como Milton Hatoum, Ailton Krenak e Ana Maria Machado; a divulgação da literatura chinesa no Brasil ainda é limitada.
A literatura de Mo Yan é tema central do Fórum Unesp 50 anos, promovido pela Editora da Unesp. O encontro, que começou nesta semana, reúne pesquisadores e escritores para discutir a obra do ganhador do Nobel de Literatura de 2012, cujo trabalho valoriza o realismo fantástico e referências à oralidade.
O escritor chinês Guan Moye, conhecido pelo pseudônimo Mo Yan, nasceu em 1955 na aldeia Ping’an, em Shandong. O evento aborda a opção por um nome que simboliza não falar, revelando como a identidade molda a construção literária e a ligação com o tempo por meio de rios e florestas.
Segundo as falas do autor, os rios funcionam como relógios que marcam o tempo e a evolução das personagens. A comparação com mestres da língua inglesa e da literatura latino-americana sustenta a ideia de que o regionalismo pode dialogar com temas universais.
O fórum também destaca a relação entre oralidade e dramaturgia tradicional da região natal de Mo Yan, com narrativas encenadas por agricultores durante o inverno. Essas histórias servem de base para uma tradição folclórica que influencia o olhar social do autor.
Mo Yan defende que o realismo fantástico pode superar o realismo estritamente objetivo, ao transmitir conflitos da vida real de forma mais ampla. Entre os temas discutidos estão política, família e questões sociais sensíveis.
Panorama editorial e traduções
A presença de Mo Yan no debate coincide com a percepção de que a literatura chinesa ainda carece de tradução ampla no Brasil. Obras como As rãs e Mudança circulam no país, enquanto a Fundação Editora Unesp reúne autorias de diferentes regiões da China.
O público presente no evento conta com especialistas de várias áreas, incluindo figuras de expressão brasileira, como Milton Hatoum, Ailton Krenak e Ana Maria Machado. A programação segue aberta até a próxima sexta-feira, dia 15.
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