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Livro sobre Carlos Drummond de Andrade prende a leitura

Livro de aforismos, publicado em 1988, reúne 318 páginas de pensamentos que desafiam o tempo e a percepção da poesia

Opinião | É Impossível parar de ler este livro sobre Carlos Drummond de Andrade
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  • Em 1988, após a morte de Carlos Drummond de Andrade, foram publicados aforismos reunidos em o Avesso das Coisas, com 318 páginas.
  • O volume comenta aforismos, sentenças, observações e ideias do poeta, descritos como pérolas.
  • Trechos destacados incluem “as academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele” e “a santa ignorância e a diabólica sabedoria”.
  • O posfácio de Pedro Bial aponta que publicitários a partir de 1920 já eram autores de aforismos, associando propaganda à poesia.
  • O texto encerra com a citação de Drummond: “A palavra e o ato vivem em conflito, e este geralmente vence”.

Em 1988, após a morte de Carlos Drummond de Andrade, foi publicada uma obra que reúne aforismos, sentenças, observações e curiosos apontamentos sobre a vida e a linguagem. A edição, de 318 páginas, provoca leitura implacável pela densidade e pela variedade de pensamentos. O encontro entre poesia, filosofia e humor aparece com força desde o começo.

Os trechos destacam a relação entre escritor e projeto de livro, ressaltando que terminar uma biografia ou qualquer grande obra é sempre incerto. O tom é de admiração, humor e reflexão sobre o ofício da escrita, com um ligeiro tom de desafio aos leitores que buscam respostas rápidas.

Conteúdo e curiosidades

Entre as pérolas, surgem reflexões sobre o papel das academias, a ambivalência entre conhecimento e ignorância, e a crítica aos templos da religião quando parecem distantes da humildade humana. Textos curtos revelam uma visão ácida sobre as estruturas da sociedade, aliadas a imagens poéticas que transgridem o comum.

O livro também aponta contradições do mundo moderno, como a discrepância entre harmonia ideal e desarmonia real, e o papel da memória diante da passagem do tempo. Há ainda observações sobre a resistência da máquina, a percepção do mar e o valor da paciência nas relações humanas.

Posfácio de Pedro Bial

Ao fim, o volume traz um posfácio assinado por Pedro Bial, que aborda a relação entre publicidade e aforismo, destacando como a prática criativa dos anos 1920 influenciou a escrita de frases curtas. O texto de Bial é visto como uma peça que merece estudo na área de comunicação, ainda que o cenário da mídia tenha mudado bastante desde então.

O conjunto se encerra com uma máxima de Drummond sobre o conflito entre palavra e ação, sinalizando que o peso da expressão pode superar qualquer intenção inicial.

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