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Maggie O’Farrell comenta novo romance sobre fome irlandesa e Bafta no porão

Maggie O’Farrell lança Land, romance sobre a fome na Irlanda e a colonização, inspirado pelo bisavô cartógrafo; prêmios de Hamnet influenciam o lançamento

Maggie O'Farrell with curly auburn hair in black jumper. Background shows leaves on left and red flowers on the right
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  • Maggie O’Farrell lança Land, romance centrado em um cartógrafo irlandês do século XIX que trabalha para o exército britânico durante a Grande Fome.
  • A obra se inspira no grande‑bisavô da autora, que mapeou a Irlanda em plena catástrofe, explorando colonização, despejos e devastação.
  • O livro é descrito como o mais político da autora, buscando contar toda a história da Irlanda por meio de um único plot de terra.
  • A autora venceu Bafta e Globo de Ouro pela adaptação de Hamnet; as taças ficaram guardadas no porão da casa.
  • Land será publicado em 2 de junho de 2026, com O’Farrell já planejando adaptar o romance para roteiro.

Maggie O’Farrell, premiada autora de Hamnet, está lançando Land, um romance inspirado na fome na Irlanda e nas revisões de mapas feitas por membros de sua família durante o século XIX. A entrevista ocorreu em Edimburgo, onde ela recebe a imprensa após passar meses entre eventos em Londres e Los Angeles, celebrando prêmios de cinema por adaptar Hamnet para a telona.

O novo livro tem como eixo uma família que tenta reconstruir a vida após a Grande Fome, em meio à colonização britânica e à expulsão de moradores de grandes propriedades. A obra nasceu de notas sobre seu tataravô, que fez mapas para o Ordnance Survey em 1848, no auge da crise irlandesa.

O lançamento de Land está marcado para 2 de junho de 2026. A autora descreve o romance como seu trabalho mais político, explorando deslocamento, posse de terras e impactos sociais da época. O enredo acompanha um mapa de uma terra imaginária criado para retratar a vida de uma comunidade sob domínio britânico.

A obra gira em torno de um cartógrafo irlandês que trabalha para o Exército Britânico e aborda, entre outras questões, as mudanças forçadas de aldeias inteiras, despejos e redesenho de propriedades. O pano de fundo é a fome entre 1845 e 1852, que fez mais de um milhão de mortos e migrações em massa.

O tema da relação entre Irlanda e Grã-Bretanha aparece com referências históricas, como críticas ao papel de autoridades na crise. O retrato de Charles Trevelyan, responsável pela alimentação de emergência na época, é apresentado como um exemplo de política de ajuda controversa, segundo a narrativa.

Ofarrell nasceu na Irlanda do Norte e vive na Grã-Bretanha desde a infância, passando por País de Gales e Escócia. A autora comenta como as memórias de deslocamento a influenciam, incluindo a sensação de “eu poderia ter sido outra pessoa” se tivesse ficado.

A autora também descreve sua rotina de escrita, que envolve um espaço próprio e o uso de fontes como canetas-tinteiro antigas. Mesmo com sucesso global, ela admite enfrentar momentos de insegurança e pensar em mudanças de carreira.

Land já foi optionado pelo mesmo time que desenvolveu Hamnet, com planos da autora de escrever o roteiro. O cenário atual indica que o livro poderá, no futuro, conciliar mais uma incursão de O’Farrell no cinema e, quem sabe, novas premiações.

Contexto histórico e temas centrais

A narrativa aborda a fome como fenômeno histórico, com análise de fatores que vão além da praga da batata. A obra aponta para a complexidade das causas, incluindo o colonialismo britânico e as políticas de alocação de terras durante o período.

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