- Davi Pontes e Wallace Ferreira, dupla de coreógrafos brasileiros, foram indicados ao Rose International Dance Prize, o maior prêmio da dança mundial, concedido pelo Sadler’s Wells, em Londres.
- A performance Repertório número 3, resultado de quase uma década de pesquisa, é a segunda parte de uma trilogia lançada na Bienal de São Paulo e aborda questões de gênero, raça e pós-colonialismo.
- A obra é apresentada por dois corpos negros nus, apenas com meias e tênis brancos, cercados por uma plateia que se senta no chão.
- Os artistas descrevem a coreografia como uma forma de autodefesa diante de violência, discriminação e da ameaça à existência de pessoas negras periféricas, buscando presença e resistência.
- O vencedor será anunciado em fevereiro, quando Davi e Wallace se apresentam novamente nos palcos de Londres.
Davi Pontes e Wallace Ferreira, dupla de coreógrafos brasileira, foram indicados ao Rose International Dance Prize, maior prêmio da dança mundial. A obra Repertório número 3 foi lançada no contexto da Bienal de São Paulo e fica em cartaz pelo circuito internacional. A indicação ocorreu em Londres, no Sadler’s Wells, casa referência da dança.
A performance é apresentada sem roupas, com o elenco usando apenas meias e tênis brancos, diante de uma plateia que se senta no piso. A coreografia questiona gênero, raça e colonialidade, temas centrais no Brasil e no mundo. A pesquisa durou quase dez anos e ganhou destaque internacional.
Detalhes da obra
Wallace Ferreira explica que o Repertório número 3 é a segunda parte de uma trilogia iniciada em 2018. O contexto histórico do Brasil cria base para a narrativa, que também dialoga com públicos globais. A peça é descrita como uma resposta artística a situações de violência e discriminação.
Davi Pontes reforça que o trabalho aborda questões raciais e políticas atuais, mantendo a dança como linguagem de resistência. A coreografia utiliza marcação rítmica precisa, com gestos e poses que provocam o olhar do público, configurando uma autodefesa performática.
Significado e passagem internacional
Os artistas ressaltam que a participação no prêmio em Londres reconhece também a qualidade teatral da peça. Eles destacam a presença de corpos negros periféricos e a escolha de que o público seja parte do jogo cênico. A proposta é abrir espaço para leituras diversas.
Os coreógrafos apontam que a proximidade com a plateia não é acidental, e sim parte da dramaturgia. A presença de corpos nus é utilizada para provocar reflexões sobre vulnerabilidade e potência, sem recorrer a confrontos diretos.
Próximos passos
A dupla continua a planejar novos trabalhos com companhias internacionais, mantendo o eixo político da pesquisa. A vitória no Rose Prize depende do voto do júri e será anunciada em fevereiro, quando Davi e Wallace se apresentam novamente em Londres. Fontes: reportagem de Yula Rocha, correspondente da RFI em Londres.
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