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Sempre disseram que era gorda demais para dançar ballet

Bailarina com corpo fora do padrão desafia a gordofobia no ballet, apresenta dissertação e planeja turnê nacional para provar que dança não tem tamanho

Júlia Del Bianco — Foto: Foto: Divulgação
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  • Júlia Del Bianco, professora, pesquisadora e bailarina, dança ballet desde os três anos e carrega um corpo fora do padrão; veste tamanho cinquenta ou cinquenta e dois e não acompanha o peso regularmente.
  • Ela enfrentou pressão para emagrecer e passou por dietas restritivas, mas hoje afirma ter uma saúde equilibrada, pratica yoga e continua dançando.
  • A virada ocorreu aos trinta e dois anos, após a morte do irmão, quando decidiu viver plenamente e provar que corpos diferentes podem dançar.
  • Em vinte e dois de maio, apresentou no Sesc de Piracicaba o espetáculo Não cabe, primeiro resultado da dissertação de mestrado na Unicamp, defendendo que o problema é a cultura gordofóbica.
  • A entrevista com Mirian Goldenberg destaca que a arte de Júlia desmonta preconceitos sobre o corpo feminino e busca levar a ideia de que o corpo pesado pode ser leve e poético pelo Brasil.

Júlia Del Bianco, bailarina, professora e pesquisadora, lançou o espetáculo Não cabe no Sesc de Piracicaba, em 22 de maio, como parte de avanços em sua dissertação de mestrado na Unicamp. A apresentação acontece em meio a debates sobre gordofobia na dança e no mercado criativo.

A artesã do movimento tem 38 anos, mede 1,65 m e veste tamanho 50 ou 52. Ela revela que não divulga peso para preservar saúde mental e afirma manter dieta equilibrada, com prática diária de dança, yoga e exercícios.

A conversa com Mirian Goldenberg, antropóloga, e com Júlia discutiu o desafio de corpos fora do padrão no ballet, onde o corpo feminino é frequentemente visto sob rígidez. Júlia questiona esse paradigma e defende a diversidade corporal.

Trajetória e impacto

Desde os 3 anos, Júlia pratica ballet clássico, enfrentando críticas e olhares que a faziam duvidar de si. Aos 29, enfrentou preconceitos velados e, aos 32, decidiu viver plenamente após a perda do irmão, mudando de postura.

Essa virada levou à criação de um repertório que celebra a corporeidade diversa. A bailarina passa a apresentar trabalhos que mostram que o corpo pesado pode ter leveza, beleza e fluidez na dança.

Novo marco e planos futuros

O espetáculo apresentado em Piracicaba simboliza a ideia de que o corpo não define competência artística. Júlia pretende percorrer o Brasil com a proposta, ampliando o debate sobre inclusão e derrubando estigmas no ballet.

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