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Sandro Veronesi afirma à VEJA que a literatura é política por si só

Veronesi afirma que a literatura é política por si só e rejeita IA na escrita, ao relançar Caos Calmo durante passagem pelo Brasil

AUTÊNTICO - O escritor: habilidade de enxergar para além das aparências (Enric Fontcuberta/EFE)
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  • Sandro Veronesi, escritor italiano, está no Brasil para divulgar e relançar o romance Caos Calmo pela editora Autêntica.
  • A obra acompanha Pietro Paladini e seu irmão salvando duas mulheres de um afogamento, em contraste com a morte súbita da companheira do protagonista.
  • O autor explica que a ideia nasceu ao unir a cena da escola com uma experiência real de resgate no mar, reforçando como suas tramas surgem da fusão de imagens.
  • Veronesi afirma que a inteligência artificial não substituirá a criação humana, pois a máquina não traduz a dimensão sonora e rítmica da língua; a literatura é, para ele, política por si só.
  • O mar é tema recorrente em sua obra, que inclui O Colibri e Setembro Negro; ele comenta ainda como as praias italianas costumam servir de cenário para suas histórias.

Sandro Veronesi se encontra no Brasil para divulgar a nova edição de um de seus trabalhos mais marcantes e, ao mesmo tempo, provocar debates sobre o papel da literatura. Em São Paulo, o escritor italiano relançou o romance Caos Calmo pela editora Autêntica, destacando a dimensão política da ficção e criticando a influência da inteligência artificial na criação textual. O encontro ocorreu durante uma visita ao país.

O livro acompanha Pietro Paladini e o irmão, em uma sequência que mistura resgate de duas mulheres de um afogamento iminente com a tragédia da morte inesperada da companheira do protagonista. A ideia da obra, segundo Veronesi, nasceu da situação de um homem que acompanha o filho na escola após a perda da esposa. A partir disso, o autor desenvolveu uma narrativa que mescla imagens cotidianas com elementos de fantasia sombria.

Para o autor, praias italianas são o cenário perfeito para explorar a convivência entre ordem social e desfechos dolorosos. Veronesi também estabeleceu a relação entre o mar e sua produção literária, citando obras como O Colibri e Setembro Negro. Em relação à tecnologia, ele rejeita a ideia de que máquinas possam substituir a criatividade humana, destacando que a literatura traduz a dimensão sonora de uma língua e funciona como ato de posicionamento.

Literatura como intervenção

Veronesi enfatiza que a escrita é um ato político por si só, afirmando que o que decide ficar ou fora da página representa a política verdadeira. O autor reforça a importância da voz e da escolha estilística na construção de sentido, mantendo o foco na relação entre caos interno dos personagens e o ambiente que os cerca.

Sobre tecnologia e futuro da escrita

O escritor sustenta que a máquina não capta o ritmo e a sonoridade de uma língua, elemento essencial da literatura. Ao defender a diferença entre criação humana e produção automática, ele coloca a escrita como espaço de resistência e reflexão sobre temas contemporâneos. Veronesi participa de uma discussão global sobre o papel da ficção diante da IA.

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