- David Hockney retornou a Yorkshire, passando a pintar ao ar livre na região e explorando cenários com fazendas de feno, veredas e jardins.
- Durante a pandemia, ele pintou jardins na Normandia usando iPad e enviou as obras por e-mail diariamente, apresentando uma visão de esperança.
- Em Paris, a mostra David Hockney 25 destacou trabalhos deste século com o mesmo peso de seus grandes clássicos, defendendo que pinturas tardias merecem o mesmo destaque.
- O relato envolve a vida pessoal do artista, incluindo a relação com Jean-Pierre Gonçalves de Lima e a presença de Celia Birtwell, sua musa.
- O retorno triunfal incluiu uma exposição no Serpentine Gallery, consolidando a fase tardia de Hockney como prova de sua visão sobre arte, percepção e natureza.
David Hockney encerrou seu hiato criativo ao retornar à Yorkshire, abrindo um capítulo surpreendente de sua carreira. A retrospectiva Paris-London demonstrou que seus trabalhos recentes, centrados em campos, rios e jardins, possuem a mesma força de suas obras icônicas.
A exposição David Hockney 25, em Paris, trouxe pinturas feitas em iPad que retratam a envolvente natureza da Normandia, além de uma nova leitura sobre o valor das paisagens rurais. O conjunto enfatiza que as obras recentes podem igualar ou superar as primeiras conquistas do artista.
Ao mesmo tempo, o retorno ocorreu durante o confinamento global, quando o artista passou a enviar telas de jardim da Normandia por e-mail, gerando uma espécie de comunicação coletiva de esperança. A prática reencontrou a ligação entre tecnologia e percepção direta da natureza.
Retorno a Yorkshire: um novo capítulo
Em Bridlington, Hockney instalou-se em uma casa antiga, com estúdio improvisado no quarto, para pintar ao ar livre. A mudança de cenário destacou o interesse contínuo dele pela relação entre perspectiva, espaço pictórico e observação direta da paisagem local.
A partir do período de pandemia, o artista passou a explorar pinturas de campos, celeiros e jardins, fortalecendo a ideia de que a pintura pode ser feita com recursos simples, inclusive com iPad. Essa mudança reforçou a leitura de que o olhar é o instrumento fundamental da arte.
Outra linha de trabalho recente envolve a aproximação entre tradições artísticas e tecnologias modernas. Em exposições recentes, inclusive em Londres, a produção tardia de Hockney recebeu reconhecimento por sua vigorosa capacidade de renovação sem abandonar a essência de seu universo visual.
A recepção da crítica e o legado
A trajetória de Hockney mostra uma passagem clara do glamour da juventude para uma leitura mais contida de natureza e espaço. A crítica aponta que o artista manteve a curiosidade pela história da arte, a percepção e o uso de recursos inovadores ao longo de sua carreira.
O conjunto de obras, distribuídas entre museus de Paris e Londres, reforça a visão de que o pintor inglês foi capaz de reinventar seu vocabulário formal sem perder a assinatura de suas imagens, marcadas pela luz, pela cor e pela observação direta da natureza.
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