- Juliana Lapa estreia exposição individual na galeria Claraboia, em São Paulo, com a mostra “Olga Não Me Deu Nada como Herança” contendo obras inéditas.
- A produção utiliza várias técnicas, desde grafite e lápis de cor até tinta a óleo e estratigrafia, em um processo de “adicionar para depois tirar”.
- As obras remetem aos delírios de Hieronymus Bosch, com composições densas que exigem que o observador perceba muitos acontecimentos ao mesmo tempo.
- A curadora Galciani Neves compara a abordagem de Bosch com a de Lapa, destacando a fusão entre o paradisíaco e o infernal e o protagonismo feminino.
- A artista relaciona o trabalho à política, usando a arte para mostrar corpos femininos livres e que rompem ciclos de violência, com a dança dos esqueletos como símbolo de igualdade.
A exibição Olha Não Me Deu Nada como Herança chega a São Paulo com a primeira mostra individual de Juliana Lapa na galeria Claraboia, na zona oeste. A pernambucana apresenta uma leitura do feminino como força de resistência, unindo sonho e realidade da experiência feminina em obras inéditas.
Os trabalhos combinam técnicas diversas, como grafite, grafite colorido, tinta a óleo e estratigrafia, mostrando uma prática artesanal que vai do traço à camada de material. A artista descreve o processo como uma limpeza gradual da imagem, quase escultórica.
As composições remetem a um universo complexo, com detalhes que sugerem delírios visuais semelhantes aos produzidos por Hieronymus Bosch. A curadoria reforça a densidade das cenas, que exigem olhar atento para acompanhar os múltiplos acontecimentos.
Influências e leituras
A pesquisa de Lapa aproxima-se de Bosch em temas de sagrado e profano, mas a artista reúne paradisíaco e infernal sem separação rígida. A curadora Galciani Neves destaca a necessidade de destreza para captar todas as camadas presentes nas telas.
A referência a William Blake aparece na caligrafia visual que se funde à imagem, criando uma escrita que
se confunde com elementos como entranhas e nuvens, sem priorizar a legibilidade, mas a integração com a imagem.
Dimensão política e simbologia
A artista associa a dimensão política de seu trabalho à luta pela autonomia corporal feminina, apresentando personagens femininas como protagonistas que desafiam padrões de violência. A curadora aponta que o corpo feminino na obra pode ser visto como sujeito livre pela poética da montagem.
Entre os recursos visuais, a dança de esqueletos surge como símbolo de igualdade e sátira social, dialogando com tradições da arte ocidental. A leitura sugere uma crítica às hierarquias sociais por meio de imagens que elevam a natureza e as mulheres ao topo.
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