- O paulistano Victor Fidelis, 32 anos, é arquiteto formado pela USP e artista plástico autodidata, que retrata corpos negros em situações de intimidade em interiores.
- A Vogue Brasil encomendou a obra De Lateral, que interpreta a Copa do Mundo no Brasil e aproxima futebol e arte.
- Em sua produção, ele mescla referências do modernismo brasileiro com elementos do cotidiano e moda streetwear, enfatizando o espaço na composição.
- Fidelis já expôs na galeria Verve e participou de espaços como MASP, MAR e CCBB, além de feiras internacionais; realizou a primeira individual, Batinga, em 2024.
- A obra privilegia a ideia de que o espaço íntimo é onde corpos marginalizados podem existir em plena humanidade e dignidade, mantendo o retrato como central.
Victor Fidelis, arquiteto paulistano, tornou-se pintor autodidata com o corpo negro no centro de sua pesquisa. A obra De Lateral, encomendada pela Vogue, interpreta a Copa do Mundo no Brasil e aproxima futebol e arte.
O artista, 32 anos, cresceu em uma família miscigenada e teve a pintura como herança desde a infância. Formou-se em Arquitetura na USP e começou a pintar em 2020, expandindo a atuação das redes sociais para galerias.
A linguagem combina referências modernistas com objetos do cotidiano. Fidelis valoriza a simplicidade formal herdada de Di Cavalcanti, Tarsila e Portinari, buscando brasilidade na transição entre pintura e espaço vivido.
De Lateral: futebol e intimidade
Para a obra da Vogue, o tema foi o entorno da seleção brasileira, não uma partida. O retrato íntimo fica em primeiro plano, mantendo o protagonismo do espectador à beira do campo.
A partir de pesquisas sobre fotografias históricas, o artista desloca o foco para quem observa o jogo, integrando uniformes e signos esportivos ao ambiente doméstico. O resultado ressalta humanidade e afeto.
O trabalho já circula por instituições como MASP, MAR, CCBB, além de Paris e feiras internacionais. Os espaços funcionam como termômetros da pesquisa e da produção de Fidelis.
A produção destaca o corpo negro como forma de autorretrato indireto, em cenas de convívio, afeto e ócio. A intimidade é apresentada como um espaço político e de afirmação da humanidade.
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