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Estilista brasileira cobra explicações após saia semelhante à de Shakira na Copa

Caso de criação independente levanta debate sobre autoria, contratos e proteção de pequenos criadores na moda diante uso de peça associada a Shakira na Copa

À esquerda, Shakira na abertura da Copa do Mundo, com uma peça assinada pela Off-White
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  • A estilista Jheni Ferreira, criadora da SSJHENI, diz ter visto semelhança entre a saia usada por Shakira na abertura da Copa e uma peça de sua autoria, embora a peça da marca Off‑White não seja idêntica.
  • A saia saiu do acervo de Jheni em São Paulo e chegou ao Rio de Janeiro em menos de vinte e quatro horas, sendo usada por Shakira por volta das seis da manhã; posteriormente foi vendida para ficar em acervo ou uso relacionado à Copa.
  • Jheni afirma ter enviado a peça para o escritório criativo da Off‑White e não recebeu explicação sobre o destino da peça nem sobre o motivo de ela ter ido para a marca.
  • A advogada Beatriz Fernandes Genaro, da Comissão de Direito da Moda da OAB‑SP, aponta que não é possível concluir reprodução apenas pela comparação visual e sugere avaliação técnica; também destaca possíveis questões de má‑fé e de aproveitamento parasitário, além de diferenciar venda de obra de autorização de reprodução.
  • A repercussão pública trouxe apoio e ataques; Jheni, grávida de oito meses, diz que o episódio afetou sua saúde emocional e ressalta a necessidade de contratos claros e documentação robusta para criadores independentes.

A stylist brasileira Jheni Ferreira, criadora da SSJHENI, entrou em spotlight após a abertura da Copa. Ela sustenta que uma saia com assinatura Off-White usada por Shakira não é a mesma peça de seu acervo, apesar de haver semelhanças de conceito. Segundo ela, a roupa havia sido vendida com a justificativa de manter o item para acervo ou uso relacionado ao evento.

A história começa com um pedido de explicação após a cantora vestir uma saia na cerimônia de abertura. Jheni afirma que a peça saiu de São Paulo, chegou ao Rio de Janeiro antes das 6h, e foi usada pela artista logo pela manhã. Ela não sabe, na época, qual seria o destino final da produção solicitada pela equipe de Shakira.

Duas semanas depois, a estilista recebeu um e-mail informando que a ação promocional havia ganhado repercussão e que a saia, mais o conjunto completo, poderia ficar com a marca para exposição ou para uso relacionado à Copa. Ela concordou em vender a peça, ressaltando que o acordo dizia respeito apenas à saia física, não à cessão criativa.

A trajetória da peça e a controvérsia

A peça chegou a ser enviada à Itália, o que gerou dúvidas sobre o destino. A dúvida aumentou ao ver a saia de Shakira na abertura da Copa, associada a um escritório criativo da Off-White. A estilista relatou ter constatado uma conexão entre o endereço de envio e a marca, após rastrear a encomenda.

Jheni relata que, semanas antes, uma profissional ligada à Off-White passou a segui-la nas redes, período em que divulgava a coleção relacionada à Copa. Nessa linha, ela aguardava esclarecimento oficial sobre a origem da peça, especialmente sobre datas de croqui e autorização de uso.

Repercussão e impacto na saúde

A repercussão pública gerou apoio e críticas nas redes. Jheni, grávida de oito meses, diz ter enfrentado crise de pânico, abalo emocional e insegurança nas negociações futuras com stylists e marcas. Ela afirma que trabalha com produções independentes, o que amplificou o impacto da situação.

Aspectos legais e recomendações para criadores

Especialistas lembram que a análise de reprodução de design exige avaliação técnica e possivelmente perícia. O foco pode recair sobre a forma concreta da criação — recorte, construção, acabamento e autoria — e sobre a relação de acesso ao portfólio, compra da peça e envio a terceiros. A diferença entre vender um objeto e autorizar reprodução é crucial para direitos patrimoniais e morais.

Beatriz Fernandes Genaro, professora da OAB-SP, recomenda cautela e destaca a importância de contratos que deixem claro uso, tempo, finalidade e circulação. Em casos internacionais, notificações extrajudiciais podem preceder ações legais para evitar longos processos.

Proteção a criadores independentes

A advogada aponta que documentos, registros de negociação e provas de autoria ajudam a evitar disputas. Registro de marca, uso de CNPJ e opções como blockchain podem facilitar comprovação rápida de data e autoria. A orientação é buscar acordos preliminares para reconhecer criação, crédito público ou devolução de peças quando cabível.

O caso permanece sem conclusão até o momento, com a ausência de resposta formal dos envolvidos. A pergunta central envolve o caminho percorrido pela peça após a compra, e por que uma peça comprada para acervo acabou ligada a uma marca diferente. Para criadores independentes, o episódio enfatiza a necessidade de contratos bem estruturados e documentação robusta para evitar prejuízos na negociação com grandes nomes.

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