- Dua Lipa inaugurou a Manifesto Library, biblioteca de Portugal, no auditório cultural da Livraria Lello, no Porto, em 27 de junho.
- O acervo reúne cento obras divididas em quatro temas — Poder, Controle, Voz e Memória — e traz títulos que foram censurados ao redor do mundo.
- A primeira obra escolhida para as prateleiras foi Olhos D’água, de Conceição Evaristo, anunciada pela autora nas redes sociais.
- O espaço faz parte do Service95 Book Club e integra o festival BABELL — City of Books, abrigando ainda obras como O Conto da Aia, de Margaret Atwood.
- Olhos D’água, vencedora do Prêmio Jabuti em 2015, aborda pobreza e violência urbana com protagonismo de mulheres negras; o livro ficou no foco de censura no Brasil em 2021, reacendendo debates sobre liberdade de leitura.
Dua Lipa inaugurou em Portugal a Manifesto Library, biblioteca criada pela artista em parceria com o Service95. A abertura ocorreu na Livraria Lello, no Porto, em 27 de junho, integrada ao festival BABELL – City of Books. O acervo, com 100 títulos, envolve temas de poder, controle, voz e memória, e a primeira obra escolhida foi Olhos D’água, de Conceição Evaristo.
A escolha foi anunciada pela própria autora nas redes sociais, gerando repercussão tanto no Brasil quanto no exterior. A inauguração marca a presença de uma biblioteca física associada ao clube do livro criado por Dua Lipa em 2023, com espaço no auditório projetado por Álvaro Siza.
Manifesto Library: origem e propósito
O espaço funciona como vitrine de obras que já enfrentaram censura ou proibição em diferentes países. A biblioteca faz parte do festival e foi pensada como ambiente de debate público, mantendo o foco em leitura crítica e liberdade de escolha.
Além de Olhos D’água, o acervo contempla títulos célebres como o Conto da Aia, de Margaret Atwood, e obras de Salman Rushdie. A rede de atividades busca incentivar o diálogo entre leitores e autores, especialmente de literatura negra e periférica.
Olhos D’água: contexto e impacto
Publicada em 2014, a coletânea reúne 15 contos que exploram pobreza e violência na população afro-brasileira. As protagonistas são mulheres marcantes, retratadas pela lente da escrita de vivência chamada de escrevivência.
A obra ganhou o Prêmio Jabuti em 2015 e já havia sido publicada anteriormente na série Cadernos Negros. Conceição Evaristo celebrou a presença da obra na livraria, destacando a repercussão positiva na celebração da cultura brasileira no exterior.
Por que a obra ganhou notoriedade
Em 2021 houve um episódio de censura no Brasil envolvendo a indicação do livro em uma instituição de ensino particular. O caso reacendeu debates sobre liberdade de leitura e resistência à censura, tornando a obra ainda mais conhecida.
A escolha de Olhos D’água para a inauguração da Manifesto Library reforça a defesa de obras negras, periféricas e femininas no cenário global. A iniciativa pretende ampliar o alcance da literatura brasileira para leitores internacionais.
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