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Poetas: o que fazem, como criam e do que vivem

Bernardo Ceccantini, de garçom a poeta e autor de Vida Sortida, aborda o processo criativo e o desafio de viver de arte no Brasil

O poeta e a cidade: o autor paulista e as inspirações paulistanas (Foto: Lucas Mielnik./Reprodução)
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  • Bernardo Ceccantini, escritor paulista nascido em 1995, é autor de Vida Sortida, recém-lançado pela Editora 34, com 112 páginas.
  • Em entrevista, ele conta a trajetória de garçom a poeta e como a cidade de São Paulo serve de inspiração para seus versos.
  • O livro reúne poemas que comportam crônicas, causos e registros da vida urbana, sem formalismo e com linguagem poética própria.
  • Sobre viver de poesia no Brasil, ele afirma que o sustento costuma vir de outras atividades, e que a poesia por si não basta para o pão diário.
  • No processo criativo, o poema começa quando a caneta toca o papel; o poeta busca imagens e sonoridades inesperadas, atuando como leitor-revisor e, às vezes, criando antipolemas.

O poeta Bernardo Ceccantini, autor do livro Vida Sortida, revela em entrevista a sua trajetória, desde o trabalho como garçom até a vida de poeta, destacando o papel da poesia como espelho da vida na cidade de São Paulo. O diálogo aborda a escolha pela escrita, o processo criativo e os desafios de viver de arte no Brasil, com foco na relevância da palavra poética.

Ceccantini nasceu em 1995 no interior de São Paulo e migrou para a capital, onde encontrou referências que alimentam a sua obra. O livro, lançado pela Editora 34, tem 112 páginas e traz a cidade como cenário constante de inspiração, reunindo crônicas, relatos e percepções do cotidiano urbano.

Na conversa, o poeta explica por que prefere a poesia à prosa para registrar o que observa. Segundo ele, versos podem funcionar como frases cantadas e, ao mesmo tempo, abrir espaço para crônicas e causos sem perder a densidade poética. O resultado é uma visão que mescla linguagem, som e imagem para revelar a vida cotidiana.

Ao falar sobre o ofício de poeta no Brasil, Ceccantini aponta que não há ganho financeiro estável apenas com poesia. Muitos poetas complementam a renda com cursos, oficinas ou trabalhos fora da literatura. Ainda assim, ele afirma que a dimensão poética exige disciplina e dedicação, indo além de um único livro ou de compromissos esporádicos.

Em relação ao processo criativo, o autor afirma que o poema começa quando a ideia encontra o papel ou o teclado, sem tentar controlar o acaso. Ele descreve o papel do poeta como alguém que reage ao material que surge, muitas vezes escrevendo o que não foi possível originalmente, para que novas imagens e sonoridades apareçam.

O livro Vida Sortida é apresentado como uma exploração da cidade, de estruturas urbanas e do convívio humano, mostrando como o cotidiano alimenta a arte sem perder a espontaneidade da criação. O conjunto busca revelar o que se esconde atrás da vida de um jovem poeta que observa, registra e questiona.

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