- O Grupo Corpo, companhia de dança mineira com cinquenta anos de história, estreou a nova coreografia “Piracema”.
- A obra, criada por Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches, utiliza 82 mil latas de sardinha no cenário, simbolizando escamas de peixe.
- “Piracema” explora a relação entre dança, natureza e transformação, retratando a vida no fundo de um rio brasileiro com 11 bailarinos.
- A trilha sonora, composta por Clarice Assad, combina elementos afro-brasileiros e eletrônicos, destacando fenômenos naturais.
- A coreografia reafirma a importância da arte em um contexto de desafios financeiros e de visibilidade, celebrando a resistência do Grupo Corpo.
O Grupo Corpo, companhia de dança mineira com cinquenta anos de história, estreou sua nova coreografia “Piracema”, criada por Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches. A apresentação, que explora a relação entre dança, natureza e transformação, utiliza 82 mil latas de sardinha no cenário, simbolizando as escamas de um peixe.
A palavra “piracema”, de origem tupi-guarani, refere-se ao movimento dos peixes que nadam contra a correnteza para desovar. A coreografia, com 11 bailarinos, retrata a vida no fundo de um rio brasileiro. Os movimentos, que evocam a respiração e a transformação, refletem a fugacidade da natureza e a urgência ecológica.
Elementos da Coreografia
A trilha sonora, composta por Clarice Assad, combina elementos de raízes afro-brasileiras com batidas eletrônicas, criando uma atmosfera que destaca a simultaneidade das ações no palco. Na primeira parte, a obra enfatiza fenômenos naturais invisíveis ao homem, como vento e marés. A aceleração dos movimentos é acompanhada por uma sonoridade que remete à vida escondida dentro do rio.
Na segunda parte, a música se torna mais melódica, com um naipe de cordas que cria uma atmosfera sentimental. Um pas-de-quatre, onde três bailarinas se unem a um bailarino, simboliza a união dos peixes em um cardume. Essa parte da coreografia reflete a ideia de transformação, que permeia toda a obra.
Desafios e Conquistas
“Piracema” é precedida por “Parabelo”, uma coreografia clássica do Grupo Corpo que explora festas populares nordestinas. A nova obra, além de celebrar a natureza, também representa a trajetória da companhia, que enfrenta desafios financeiros e de visibilidade. Manter uma companhia de dança por cinquenta anos no Brasil é um ato de resistência.
A coreografia reafirma a importância da arte em um contexto onde a dança muitas vezes é desvalorizada. Com “Piracema”, Pederneiras e Abranches destacam a exuberância da dança como uma forma de multiplicar sentidos, abordando questões ecológicas, estéticas e políticas, e reafirmando a relevância do Grupo Corpo no cenário artístico contemporâneo.
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