- A Estrada do Chocolate, com 43 quilômetros, liga Ilhéus a Uruçuca, na Bahia, e conecta fazendas históricas.
- Desde a crise da vassoura-de-bruxa nos anos 1980, a produção de cacau na Bahia se transforma com práticas sustentáveis e foco no turismo.
- O estado produz 240 mil toneladas de cacau, com 95% dessa produção concentrada na Bahia e no Pará.
- A agricultura familiar representa mais de 70% da produção, e o cacau é valorizado como produto gourmet, especialmente com o sistema “bean-to-bar”.
- O turismo na região é impulsionado por rotas como a Costa do Cacau, onde visitantes podem conhecer o processo de produção do chocolate e degustar produtos artesanais.
Entre o aroma das amêndoas de cacau e a exuberância da Mata Atlântica, a Estrada do Chocolate se estende por 43 quilômetros entre Ilhéus e Uruçuca, na Bahia. Este caminho, inaugurado em 2010, conecta fazendas históricas e comunidades que buscam revitalizar a cultura do cacau, uma vez que a região foi o coração econômico do Brasil no século XX, conforme retratado na obra de Jorge Amado.
Atualmente, a produção de cacau na Bahia passa por uma transformação significativa. O estado, que já foi o maior produtor mundial, enfrenta desafios desde a crise da vassoura-de-bruxa nos anos 1980, mas agora se reinventa com práticas sustentáveis e um foco no turismo. Marcos Lessa, CEO do grupo M21 e criador do Chocolat Festival, destaca que a produção baiana já alcança 240 mil toneladas, com 95% dessa produção concentrada na Bahia e no Pará.
A região conta com cerca de 30 mil produtores, sendo que mais de 70% da produção é oriunda da agricultura familiar. O cacau, que antes era tratado como uma commodity, agora é valorizado como um produto gourmet, especialmente com o sistema “bean-to-bar”, que permite um controle maior sobre a qualidade do chocolate. Gerson Marques, da Fazenda Yrerê, enfatiza a importância da preservação ambiental, utilizando o sistema agroflorestal Cabruca, onde o cacau é cultivado sob a sombra de árvores nativas.
Riqueza Cultural e Turística
O turismo na região também ganha destaque, com rotas como a Costa do Cacau e a Rota do Chocolate atraindo visitantes interessados na história do cacau. Fazendas como a Riachuelo, fundada em 1855, oferecem experiências que vão desde a colheita até a produção do chocolate, permitindo que os turistas conheçam todo o processo. A Mendoá, por exemplo, processa cerca de 180 quilos de chocolate por dia e possui prêmios internacionais.
Os visitantes têm a oportunidade de degustar chocolates artesanais, que variam em sabor e teor de cacau, e aprender sobre as técnicas de fermentação e secagem que influenciam o produto final. Essa nova abordagem não apenas resgata a história do cacau na Bahia, mas também promove um desenvolvimento sustentável, unindo tradição e inovação em um dos maiores polos de chocolate do Brasil.
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