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Lenda de Roraima ganha filme que defende a preservação do lavrado

Curta-metragem "O Chocalheiro" destaca a cultura roraimense e a luta pela preservação ambiental e cultural na região Norte do Brasil

Foto: Reprodução
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  • O curta-metragem “O Chocalheiro”, dirigido por Vanessa Brandão, estreou em 20 de julho de 2025, no Teatro Municipal de Boa Vista.
  • A obra aborda a cultura do lavrado roraimense, misturando drama familiar e espiritualidade, com foco na preservação cultural e ambiental.
  • A narrativa gira em torno da figura mítica do Chocalheiro, que protege a natureza e a vida comunitária.
  • O filme foi produzido pelo Instituto Aichan e Platô Filmes, com um orçamento de R$ 30 mil, viabilizado pela Lei Paulo Gustavo.
  • A produção destaca a importância da preservação do lavrado, um bioma ameaçado, e busca descolonizar a visão folclórica local.

O curta-metragem O Chocalheiro, dirigido por Vanessa Brandão, estreou em 20 de julho de 2025, no Teatro Municipal de Boa Vista. A obra explora a rica cultura do lavrado roraimense, entrelaçando drama familiar e espiritualidade, com foco na preservação cultural e ambiental.

A narrativa gira em torno da figura mítica do Chocalheiro, uma entidade que, segundo as tradições locais, protege a natureza e a vida comunitária. Vanessa Brandão, que cresceu ouvindo histórias sobre essa entidade, destaca a importância de dar vida a essas memórias no cinema. “O Chocalheiro era uma presença em minha vida e na de muitos”, afirma a diretora, ressaltando o respeito e o medo que a figura inspirava.

O curta foi produzido pelo Instituto Aichan em parceria com a Platô Filmes, com um orçamento de 30 mil reais, viabilizado pela Lei Paulo Gustavo. A produção envolveu a família da diretora, com metade do elenco composto por parentes, o que conferiu um caráter íntimo ao projeto. “Foi um processo feito em família, quase um rito”, comenta Felipe Medeiros, ator que interpreta Onildo, o pai da família no filme.

Preservação Cultural

O filme não apenas retrata a entidade folclórica, mas também aborda a dura realidade da educação tradicional, marcada por disciplina severa. O Chocalheiro aparece como uma presença ambígua, ora protetora, ora punitiva. A produção busca descolonizar a visão folclórica, mostrando que essas histórias são parte vital da identidade local.

O curta destaca a importância do lavrado, um bioma ameaçado pelo agronegócio e queimadas. “Preservar as histórias é lutar pela preservação da terra”, afirma Vanessa. O filme se torna um gesto de resistência cultural, lembrando que a Amazônia é plural e suas lendas precisam ser mantidas vivas.

Desafios do Cinema no Norte

Produzir cinema na região Norte do Brasil é desafiador. Em 2023, nenhuma produção da região foi contemplada no edital Novos Realizadores da Ancine. Com apenas 222 salas de cinema, a região enfrenta dificuldades de acesso a produções locais. “Sem incentivos, estaríamos em um deserto artístico”, conclui Medeiros, enfatizando a importância da cultura para a democracia e a identidade.

O Chocalheiro, portanto, não é apenas um filme, mas um rito de memória que ecoa as tradições e a ancestralidade do povo roraimense, reafirmando a conexão com a natureza e a luta pela preservação cultural.

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