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Visita ao Pai: crônica familiar que mistura memória e história

Crônica descreve a vida do pai de Tezza, desde a infância até a morte após acidente de mil novecentos e cinquenta e nove, conectando memória familiar a um painel da história brasileira

Em ‘Visita ao Pai’, crônica familiar e painel histórico em um só livro
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  • Cristovão Tezza apresenta em Visita ao Pai a história de João Batista Tezza, que morreu após acidente entre uma Kombi e sua lambreta em Lages, no dia 22 de julho de 1959, com o falecimento registrado às 16h15 na quinta-feira seguinte.
  • O livro usa 22 cadernos do pai, contendo cartas e documentos escolares e profissionais, que o autor transcreve sem correções, revelando o homem que se tornou “tabelião de si mesmo”.
  • A obra traça um painel da vida nacional, atravessando a era de Getúlio Vargas e chegando aos primeiros anos de Juscelino Kubitschek, e associa o pai à urbanização intensa do Brasil.
  • João Batista, que nasceu em Urussanga, Santa Catarina, foi carteiro, professor e formou-se em Direito; teve carreira profissional irregular, ambição política e investiu em criação de galinhas, que gerou prejuízos.
  • O livro dialoga com a própria vida do filho, destacando paralelos entre as trajetórias de pai e autor, sob o formato de ensaio que mistura memória, crítica literária e história brasileira.

O professor e advogado João Batista Tezza morreu após colidir com uma Kombi enquanto pilotava uma lambreta no centro de Lages, na Serra Catarinense. O acidente ocorreu às 17h45 do dia 22 de julho de 1959, uma quarta-feira, conforme registro do Correio Lageano. O boletim informava que ele chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu e faleceu às 16h15 da quinta-feira.

Cristovão Tezza, filho do falecido, reapresenta o episódio em Visita ao Pai, livro publicado pela Companhia das Letras. O relato transporta o leitor para o período por meio de cartas e documentos do pai, preservados em cadernos que o próprio João Batista reuniu ao longo de 28 anos. Entre o material, há registros escolares, profissionais e de vida pública.

A obra de Tezza não se restringe à memória familiar. Ela se apresenta como um painel da vida nacional que atravessa a era de Getúlio Vargas até o início de Juscelino Kubitschek, cruzando urbanização e transformações sociais. A figura paterna emerge como símbolo de uma geração que transitou entre o serviço público e a busca por reconhecimento.

O personagem e o contexto

Filho de uma família de pequenos agricultores de Urussanga, João Batista deixou a colônia italiana para alistar-se no exército em Florianópolis, iniciou estudos, tornou-se carteiro em Lages e, mais tarde, professor da região. O livro aponta um percurso marcado por ambições, vínculos políticos locais e um cliente­lismo que moldou suas ações.

No decorrer dos cadernos, aparecem tensões entre o desejo de ascensão social, a educação formal e as relações pessoais. O pesquisador registra comportamentos ambiciosos, bem como momentos de rancor por dívidas herdadas. A narrativa também revela uma faceta de improvisação profissional, já que o exercício da advocacia foi modesto e eventual.

Forma de reconstrução e leitura

A obra dialoga com a memória em primeira pessoa, diferente dos trabalhos anteriores de Tezza, que recorreu a uma terceira voz em O Filho Eterno. Ao cruzar cartas, memórias e referências históricas, o autor constrói uma cronologia que espraia o Brasil desde o fim da era Vargas até os primeiros anos de JK, com foco nos anseios e fraturas de uma época.

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