- O projeto cultural Bailarinas em Suspeição: Mulher, Dança e Trabalho nos Cassinos Pernambucanos (1930-1950) será lançado em 29 de abril, Dia Internacional da Dança, com videodança, artigo científico e acervo digital.
- A pesquisa resgata trajetórias de cerca de noventa mulheres que atuaram como bailarinas em cassinos de Pernambuco entre as décadas de 1930 e 1950, com base em jornais, revistas e prontuários do DOPS.
- Os registros mostram classificação por nacionalidade, tipo de dança e estado civil, além de discursos moralizantes que acompanhavam as artistas.
- O estudo evidencia que a atuação artística ultrapassava o palco, estando sujeita a vigilância e controles sociais, mesmo para bailarinas reconhecidas.
- A videodança conecta passado e presente, articulando memória, trabalho artístico e estigmas históricos, e dialoga com linguagens acadêmicas e de dança contemporânea.
O projeto cultural Bailarinas em Suspeição: Mulher, Dança e Trabalho nos Cassinos Pernambucanos (1930-1950) reúne pesquisa, arte e memória para contar histórias de bailarinas que atuaram em cassinos de Pernambuco entre as décadas de 1930 e 1950. A iniciativa é de Marcela Rabelo, pesquisadora, bailarina e videomaker, e será lançada no Dia Internacional da Dança, 29 de abril.
A proposta combina publicação de um artigo científico, videodança inédita e um acervo digital com materiais históricos e registros da pesquisa. O objetivo é ampliar o acesso a trajetórias pouco valorizadas e preservar o legado dessas artistas.
A investigação parte de documentação reunida em jornais, revistas e arquivos históricos, com destaque para prontuários do antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Ao todo, cerca de 90 mulheres foram identificadas.
Entre brasileiras e estrangeiras, as artistas aparecem em listas que classificam a dança pela nacionalidade, tipo e estado civil, além de espaços de circulação. Os registros também trazem um vocabulário moralizante da época.
A pesquisa aponta para um cenário em que a atuação artística costumava atravessar o palco, sujeita a vigilância e julgamentos ligados à sensualidade e a padrões sociais da época.
Mesmo com vínculos institucionais ou reconhecimentos, muitas bailarinas eram monitoradas, revelando contradições sobre como eram percebidas e avaliadas no meio artístico.
A videodança recém produzida conecta passado e presente ao explorar memória, trabalho artístico e estigmas históricos, articulando linguagem acadêmica e expressão performática.
Parte da obra envolve a participação de outras bailarinas pernambucanas, dialogando com técnicas registradas nos documentos históricos para enriquecer o olhar contemporâneo.
Mais do que reconstrução, o projeto convida à reflexão sobre como mulheres artistas são vistas hoje, ampliando o debate sobre o lugar da mulher na dança e na cultura de Pernambuco.
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