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O olhar do cão: arte de Velázquez a Picasso

O “olhar do cão” revela o papel do animal como elo entre natureza e cultura na arte ocidental, de Velázquez a Picasso

Paw prints … Diego Velázquez’s Las Meninas.
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  • O livro The Dog’s Gaze, de Thomas Laqueur, analisa o papel dos cães na arte ocidental e o que o “olhar do cão” revela sobre a relação entre natureza e cultura.
  • O cão é apresentado como o primeiro animal a conviver com humanos, o que confere aos cães posição mediadora e significado simbólico nas obras de arte.
  • Velázquez, em Las Meninas, coloca um mastim no canto inferior direito, cuja expressão olhando para o espectador agrega peso à cena e à leitura da pintura.
  • Picasso reverencia Velázquez em uma série de 1957, substituindo o mastim por Lump, o dachshund, sempre olhando para fora da moldura.
  • Veronese, em A Festa de Caná, inclui seis cães; um deles observa a celebração, oferecendo ao espectador um ponto de entrada na narrativa sagrada.

Thomas Laqueur apresenta em The Dog’s Gaze uma leitura cortante sobre a presença dos cães na arte ocidental, conectando a convivência humana com a percepção de mundo. O autor parte de uma premissa histórica: o cão foi o primeiro animal a viver ao lado do humano, abrindo caminho para leitura simbólica nas obras.

A obra acompanha cães desde Velázquez até Picasso, mostrando como o olhar canino funciona como elemento de retorno do observador. Em quadros famosos, o animal não apenas aparece, mas fixa o olhar, criando uma segunda camada de significado para quem observa.

Entre os exemplos, destaca-se o mastim em Las Meninas, pequeno ponto de estabilidade num emaranhado de ações da corte. O olhar do cão, voltado para o espectador, parece dizer que há uma leitura clara além das aparências.

A partir dessa ideia, Picasso repensa Velázquez, substituindo o cão pela dachshund Lump em uma série de Las Meninas. Lump surge com um olhar desafiador, ocupando o espaço com uma presença insolente que redefine a leitura da cena.

No conjunto, Laqueur sustenta que o papel do cão na arte funciona como ponto de entrada para o público. Em The Wedding Feast at Cana, por exemplo, seis cães observam o milagre, enquanto um outro busca migalhas, enriquecendo o espaço sagrado com humor.

Por fim, o livro relembra a controvérsia histórica de Veronese: ao retratar um cão na Última Ceia, sofreu censura da Inquisição. O pintor manteve o animal e apenas alterou o título, preservando a presença canina na cena.

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