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Sonho feito de páginas de literatura ganha forma

Luiz Amorim transformou açougue em polo de leitura, levando bibliotecas a pontos de ônibus e promovendo eventos culturais reconhecidos internacionalmente pela UNESCO

Luiz Amorim é o nome por trás de iniciativas como o Açougue Cultural - (crédito: Carlos Vieira CB/DA Press)
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  • Luiz Amorim, morador do Gama, virou referência ao transformar o Açougue do T-Bone em espaço que oferece livros gratuitamente aos clientes.
  • A iniciativa de bibliotecas em pontos de ônibus começou em 2007, ganhou uma estante na parada da 712 Norte e chegou a cerca de 35 locais, com circulação de 300 mil livros por ano e reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
  • Atualmente, as estantes permanecem nas paradas da W3 Norte, mantidas pela comunidade, que continua doando livros.
  • O projeto gerou depoimentos de leitores que mudaram de vida, incluindo aprovados em concursos públicos e pessoas que encontraram apoio durante momentos de depressão.
  • O Açougue Cultural, criado em 1997, promoveu noites de arte e leitura na 312 Norte, com destaque para lançamentos, shows e encontros de poesia; os eventos foram suspensos pela pandemia e ainda não retornaram.

Luiz Amorim, natural de Salvador, chegou a Brasília em 1973, quando a cidade tinha 13 anos e ele 7. A mãe, recém-separada, veio trabalhar como diarista; os seis filhos faziam bicos para ajudar. Aos 12, Luiz começou a trabalhar como açougueiro na Asa Norte.

O jovem sonhava com o Plano Piloto, onde a mãe atuava. Ao chegar ao açougue da 312 Norte, decidiu ler nos momentos livres, alfabetizando-se aos 16 e lendo o primeiro livro aos 18. A leitura ganhou espaço entre clientes politizados e cultos.

Aos 29 anos, comprou o estabelecimento e rebatizou como Açougue do T-Bone. Além de carnes, passou a oferecer livros gratuitamente à comunidade. A diferença ganhou força com doações de clientes e público engajado.

A iniciativa ganhou escala em 2007, quando Amorim levou a literatura para os pontos de ônibus da cidade. Começou com uma estante na parada da 712 Norte, ampliando para dezenas de locais ao longo do tempo.

O projeto chegou a cerca de 35 pontos de ônibus, com circulação anual de aproximadamente 300 mil livros. Houve reconhecimento internacional, com menção da Unesco como um dos maiores incentivos à leitura no mundo.

As bibliotecas de parede na W3 Norte permanecem ativas, mantidas pela comunidade. O movimento passou a se autogerir, com moradores mantendo e ampliando as estantes e as doações para novos títulos.

Noites culturais

O Açougue Cultural começou em 1997, integrando literatura, poesia, música e artes no próprio espaço. O calendário incluía lançamentos, leituras e apresentações de artistas locais e nacionais.

Entre os primeiros encontros, destacaram-se lançamentos de livros e apresentações de músicos. Ao longo dos anos, a programação atraiu nomes como Jorge Benjor, Zé Ramalho, Tom Zé e Elba Ramalho, além de recitais e bienais de poesia.

A pandemia de covid-19 interrompeu os eventos presenciais. Desde então, não houve retorno oficial, embora haja interesse de retomar as atividades e celebrar o legado dos encontros realizados.

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