- O romance Lá é o Tempo, de Maria Fernanda Maglio, gira em torno de dois assassinatos e um suicídio, com a possible reconstrução narrativa a partir de uma investigação in loco realizada por um escritor.
- A história alterna entre dois planos: a cidade interiorana nos anos noventa, onde vive André, de treze anos, e o assassinato do borracheiro Salu; e a investigação do escritor em São Paulo, que acompanha depoimentos e tenta seguir a pista.
- O narrador-escritor, casado com uma mulher que quer engravidar, abandona a esposa e viaja para investigar os crimes, ouvindo relatos que incluindo a filha de um policial e um advogado que defendia André.
- A voz de André é explorada em terceira pessoa limitada, com cenas de luto e memórias envolvendo Salu, incluindo a oficina, o cotidiano e o velório, enquanto a sequência de depoimentos se alterna com a narrativa do escritor.
- O título nasce da justaposição de dois fragmentos: o “lá” escrito no teto da oficina de Salu e a frase “é o tempo” encontrada em um banheiro, ambos sugerindo a persistência do mistério e a importância da viagem e da busca na literatura.
Em Lá é o Tempo, de Maria Fernanda Maglio, o romance gira em torno de dois assassinatos e um suicídio, entrelaçados pela investigação de um escritor que se inspira na história vivida por um garoto da década de 1990. A cidade interiorana é o cenário onde André acompanha a notícia da morte do borracheiro Salu, enquanto o narrador-escritor, morando em São Paulo, tenta reconstruir os acontecimentos.
A voz do escritor é apresentada em segunda pessoa, criando um efeito de proximidade e afastamento ao mesmo tempo. Ele abandona a esposa, muda-se para a cidade pequena e investiga os crimes a partir de depoimentos recolhidos, observando a distância entre ficção e memória. O romance alterna entre o luto de André e as tentativas do narrador de encontrar uma linha narrativa.
Maglio utiliza duas camadas temporais: a vida de André, aos 13 anos, e o desenrolar da investigação pelo escritor. As passagens são intercaladas por depoimentos de personagens próximos a André, incluindo o advogado que defendia o jovem e um amigo dele. A obra também acompanha a filha de um policial, cuja presença completa o mosaico de vozes.
Estrutura e recursos narrativos
O romance alterna vozes e perspectivas. Em momentos, a história é contada pela ótica de André, com cenas da escola, da oficina de Salu e do velório. Em outros, a narrativa acompanha o investigador que, ao se aproximar da verdade, percebe que não há caminho claro. O tom é de tensão contínua, sem resoluções fáceis.
A escritura de Maglio joga com o tempo e a linguagem. Em trechos, o narrador é o próprio leitor, convidado a vivenciar o mistério sem previsibilidade. A obra transforma o que poderia soar como drama policial em uma exploração sobre memória, amizade e violência, sem comícios nem julgamentos.
Lá é o Tempo
- Autora: Maria Fernanda Maglio
- Editora: Todavia (160 págs.; R$ 72,90 | E-book: R$ 49,90)
Trecho selecionado do romance descreve o anúncio da morte do borracheiro Salu, visto pela turma na escola. A narrativa registra o choque, as hipóteses sobre a autoria e o modo como a notícia se espalha entre os personagens, revelando as queixas, curiosidades e tensões do grupo.
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