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Caipirinha, o clássico brasileiro em sua melhor versão

Caipirinha ganha versão refinada no Jiquitaia, destacando técnica e memória histórica, da origem medicamentosa à consagração na Semana de Arte Moderna

Caipirinha de limão cravo do Jiquitaia
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  • A caipirinha é o símbolo brasileiro, e Nina Bastos ressalta que muitos não cuidam do básico ao prepará-la.
  • Em mil novecentos noventa e cinco, tornou-se o primeiro coquetel nacional na lista da Associação Internacional de Bartenders (IBA).
  • Existem três versões da origem: relato de 1856 em Paraty para conter cólera; evolução durante a Gripe Espanhola no interior de São Paulo; e a lenda de Piracicaba com mel e alho, que depois virou apenas costume de usar açúcar e gelo.
  • A pintora Tarsila do Amaral é apontada como grande embaixadora da caipirinha, eleita bebida oficial da Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo.
  • Receita do Jiquitaia, por Nina Bastos: 60 ml de cachaça branca de qualidade, 1 limão cravo grande, 10 g de açúcar cristal; macerar o limão com o açúcar, acrescentar gelo e a cachaça, mexer até ficar bem frio; dicas incluem usar limão cravo, maceração suave e cachaça branca de qualidade, com variações de caju com limão ou maracujá com manjericão.

A caipirinha, símbolo máximo da brasilidade na coquetelaria, enfrenta um paradoxo cotidiano: celebrada no exterior, ainda é mal cuidada no Brasil. O comentário de Nina Bastos, à frente do bar do Jiquitaia em São Paulo, resume o desafio: muitos insistem em errar o básico, subestimando a bebida.

Em 1995, a caipirinha entrou para a lista oficial da IBA, tornando-se o primeiro coquetel nacional reconhecido pela organização mundial de bartenders. Mesmo assim, evoluções artesanais e a tradição enfrentam resistência e preconceito com a cachaça, aponta Bastos, que observa preferência por caipiroska entre o público.

A origem da bebida é tema de debate entre três versões, sem consenso. Uma teoria antiga remete a um remédio caseiro em Paraty durante um surto de cólera em 1856. Outra aponta evolução no interior de São Paulo na Gripe Espanhola, com suposto xarope terapêutico de cachaça, mel, limão e alho, substituído pelo gelo após o fim da pandemia.

A consagração histórica veio pela elite cultural: segundo o Ibrac, a pintora Tarsila do Amaral escolheu a caipirinha como bebida oficial da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, batizando-a com seu sotaque. A narrativa popular diz que ela costumava preparar a bebida para convidados ilustres, incluindo Picasso, e ajudou a popularizar o nome.

Receita da Caipirinha do Jiquitaia, por Nina Bastos

  • Ingredientes: 60 ml de cachaça branca, meia-lua de limão cravo, 10 g de açúcar cristal.
  • Preparo: macere o limão com o açúcar no copo baixo com delicadeza, adicione gelo até a borda e a cachaça. Mexa com colher bailarina até ficar homogêneo e gelado.

Como servir a caipirinha ao alto nível

Não há atalhos para o clássico de três ingredientes. Para reproduzir o padrão do Jiquitaia, siga as orientações de Bastos.

Escolha do limão e corte

Ao invés do tahiti, a chef recomenda o limão cravo e o corte em meias-luas finas para liberar suco e aromas sem esforço excessivo.

Maceração cuidadosa

Esmague os ingredientes com delicadeza, apenas para extrair o suco e os óleos da casca. O açúcar cristal favorece o atrito com a casca durante esse processo.

A cachaça é o destaque

Opte por cachaça branca de alta qualidade, sem envelhecimento. Entre as indicadas estão Princesa Isabel, Serra Limpa e Rainha.

Experimentações permitidas

Para variar sem perder a elegância, sugere-se o Caju com Limão, com menos limão e açúcar e adição de caju na maceração, ou Maracujá com Manjericão, que equilibra acidez com herbáceo. Outras casas paulistas costumam criar combinações como tangerina com maracujá, com diferentes proporções. Tim-tim!

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