- Origo, um pavilhão externo ovulado de 24 metros de largura, usa cerca de 30 toneladas de solo e abre no dia 15 de maio, no Barbican, em Londres.
- A instalação é uma experiência imersiva com passagens em cavernas para visitantes explorarem, além de um pátio central para atividades meditativas, como tai chi.
- O projeto faz parte de uma investigação de quatorze anos da artista colombiana Delcy Morelos sobre a relação humana com o solo, tema que já havia sido explorado em The Womb Space, na Cidade do México.
- Morelos enfatiza uma visão Andina decosmovisão, tratando a terra como vida e parte de relações horizontais de cuidado entre pessoas e o ambiente.
- Origo será de acesso gratuito e temporário, sendo desmontado em agosto; a artista valoriza a impermanência das obras como parte da experiência.
Delcy Morelos apresenta Origo, instalação de solo que chega ao Barbican, em Londres, após passagem por outras cidades. A obra é uma mandala de terra em ambiente externo, com 240 cm de largura, formato oval e passagens semelhantes a cavernas. O conjunto utiliza 30 toneladas de solo e ficará em exibição até agosto.
A mostra Origo dialoga com a arquitetura de concreto do Barbican, buscando reduzir barreiras entre o visitante e o material primordial. A peça inclui um pátio central para atividades meditativas, como tai chi, e convida a uma experiência sensorial única, próxima aos sentidos.
Antes de chegar ao Barbican, Morelos já mostrou The Womb Space, em Cidade do México, uma escultura de terra em fase final de exposição. A installation atraiu mais de 60 mil visitantes ao longo de nove meses, destacando a relação entre pessoa e terra.
Origo terá entrada gratuita e permite visitas repetidas, já que a obra pode evoluir com o tempo e as condições climáticas. A equipe de Morelos planeja desmontar o trabalho em agosto, destacando a ideia de impermanência como parte do conceito.
A artista colombiana, de 58 anos, nasceu em Tierralta e cresceu lidando com o chão batido da casa da família. Segundo Morelos, a prática parte de uma cosmovisão andina que vê a terra como elemento vivo, não como recurso a explorar.
Em entrevistas, Morelos explica que o trabalho busca revelar que a água, as pedras e os seres da natureza merecem cuidado conjunto. A autorreflexão em torno do solo inspira uma ética de cuidado mútuo entre humanos e o mundo natural.
Origo funciona como um espaço de encontro com a origem, segundo a artista, conectando memória, espaço e material. A obra, descrita como um diálogo com a terra, pretende provocar questionamentos sobre consumismo e relação com o ambiente.
O Barbican informa que Origo ficará aberto ao público a partir de 15 de maio, sem cobrança de ingresso. O projeto faz parte de uma trajetória de 14 anos de pesquisa de Morelos sobre o papel do solo na vida humana.
Para o público, a obra promete uma experiência que ultrapassa a apreciação estética, buscando uma percepção mais direta do nosso vínculo com o planeta. A exposição atualiza o conceito de “nossa origem” ao cotidiano urbano de Londres.
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