- A crítica revisita If This Be Magic, de Daniel Hahn, sobre como traduzir Shakespeare e se questiona se ele pode ser traduzido sem perder a essência.
- Hahn defende que Shakespeare pode existir em outras línguas, mesmo com cada palavra diferente, e utiliza exemplos de idiomas como neerlandês, russo, mandarim, maori e húngaro para explorar escolhas de tradução.
- O livro destaca entrevistas com tradutores e demonstra como decisões como manter rima, adaptar piadas ou preservar aliteração afetam a leitura, com casos práticos em romeu e julieta, sonho de açucenas e outras obras.
- São discutidos dilemas comuns — traduzir em verso, lidar com trocadilhos e preservar o humor — sugerindo que, muitas vezes, é melhor criar uma nova piada fiel ao espírito do original do que traduzir literalmente.
- A crítica aponta falhas editoriais (faltou índice) mas ressalta o entusiasmo de Hahn pela riqueza de idiomas e pela inesgotabilidade de Shakespeare.
A obra If This Be Magic, de Daniel Hahn, analisa como Shakespeare pode ser traduzido sem perder a sua essência. O livro questiona a ideia de que o dramaturgo é intrasponível para outras línguas, propondo que cada idioma pode abrir caminhos diferentes para o texto original.
Hahn reúne exemplos de traduções em múltiplas línguas, como holandês, russo, galês, Thai, árabe e japonês. O autor argumenta que apenas contar sílabas ou observar aliteração pode revelar a qualidade de uma tradução, ainda que não domine todos os idiomas. O recurso de colocar caixas com escolhas de tradutores ajuda a visualizar as alternativas.
Conversa com tradutores é o que ilumina a obra. Em Māori, por exemplo, a pergunta Are you a man? de Lady Macbeth recebe uma adaptação próxima de Have you got balls? O texto também mostra como o nome Prince Hal pode ganhar outra função em língua húngara, virando Riki. O livro aborda ainda dilemas como traduzir verso, humor e prosódia.
Desafios da tradução
Ao explorar a transposição de ideias, Hahn discute a busca por manter o humor, em especial como fazer piadas funcionarem em outra língua. Para preservar trocadilhos e ritmos, muitas vezes é preciso criar uma nova graça linguística. O autor cita casos onde a fidelidade literal não funciona.
Outra linha importante trata da preservação de aliterações. Em algumas obras, a reinterpretação de expressões idiomáticas é preferível a uma tradução estritamente literal. O volume também analisa erros comuns de traduções e a tentação de transformar traduções literais em versões de maior apelo comercial.
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