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Mário de Andrade e a crítica à identidade nacional brasileira

Crônicas de viagem de Mário de Andrade revelam visão crítica do Nordeste e a vergonha de ser brasileiro, provocando leitura contemporânea

Mario Sergio Conti
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  • Mário de Andrade percorreu o Nordeste entre 1927 e 1929, registrando crônicas que viraram o livro Nordestes: Diário de Viagem (1928-1929); as 70 crônicas foram originalmente publicadas no Diário Nacional sob a coluna Turista Aprendiz.
  • A edição da Casa Matinas mantém a grafia e a sintaxe do poeta, preservando a oralidade presente nos textos.
  • O título Nordestes defende que o Nordeste é plural e critica a ideia de uma visão única sobre a região.
  • Nos textos, o autor comenta pobreza, seca e governos, com ironia e autoreferência, incluindo observações sobre costumes e crenças locais.
  • A obra está à venda no site da editora Casa Matinas, sem passagem por livrarias.

Às quase oito décadas da morte de Mário de Andrade, suas crônicas de viagem voltam a ganhar edição caprichada. O conjunto, escrito entre 1928 e 1929, reúne observações sobre o Nordeste e a Amazônia, originalmente publicadas no Diário Nacional sob a coluna Turista Aprendiz. As 70 crônicas formam a base para o livro Nordestes: Diário de Viagem (1928-1929), lançado pela casa matinas.

A nova edição é organizada por André Botelho e Onildo Correa e preserva a grafia e a oralidade do poeta, ainda que atualize o formato para o leitor contemporâneo. O título plural reflete a leitura do autor de Nordeste como pluralidade regional, questionando enquadramentos que o submeteriam a um naturalista único.

Nordestes como provocação

Mário de Andrade percorreu cidades desde Igarassu a Redinha, passando por Macau e Catolé do Rocha, pesquisando cantorias e crenças locais. O objetivo era etnográfico, mas o texto revela traços de ironia e autocrítica do próprio observador. O narrador descreve cenas de pobreza, seca e desigualdade com tom marcado pela crítica social.

O livro preserva a voz de quem escreveu a partir de uma experiência de viagens motivada por dívidas e pela necessidade de financiar a obra literária. No entanto, as crônicas também exibem uma visão que hoje é interpretada como reflexão sobre identidade nacional, cultura nordestina e contradições do modernismo brasileiro.

Contexto e repercussão

O material, publicado originalmente na imprensa entre 1928 e 1929, foi reunido décadas depois da morte do autor, em 1945. A edição atual mantém o estilo único do poeta, que valoriza a oralidade popular e usa expressões regionais. A obra serves como documento histórico sobre a percepção paulista de outras regiões do país.

Disponibilidade

Os livros não costumam frequentar livrarias tradicionais. Estão disponíveis pelo site da editora, com envio direto aos leitores. A publicação não inclui comentários de terceiros e foca na reprodução fiel do texto original, com notas que ajudam o leitor moderno a situar referências culturais.

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