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Quadrinhos eróticos esquecidos de Alice Ruiz e Paulo Leminski ganham visibilidade

Quadrinhos eróticos de Alice Ruiz e Paulo Leminski, produzidos pela Grafipar nos anos setenta, financiaram a família e resultaram na demissão de equipe feminina após pesquisa de público

Paulo Leminski e Alice Ruiz, em foto dos anos 1970
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  • Nos anos setenta, Alice Ruiz e Paulo Leminski roteirizaram quadrinhos eróticos para a Grafipar, editorial paranaense de boa tiragem.
  • As publicações incluíam Peteca, Eros e Rose, com conteúdo erótico e educativo; Ruiz criou roteiros feministas para a Rose.
  • A Grafipar, famosa pela produção de HQs, chegou a lançar Catatau em parceria com a editora, fortalecendo a relação com o casal.
  • A revista Rose teve fim abrupto após a empresa identificar que a maioria dos compradores eram homens homossexuais, levando à demissão de boa parte da equipe feminina.
  • Em 2015, a editora Veneta lançou Afrodite: Quadrinhos Eróticos, compilando parte do material produzido pelo casal.

Nos anos 1970, uma editora paranaense apostou alto em conteúdo nacional de nicho: quadrinhos eróticos de baixo custo com tiragens expressivas. A Grafipar é a responsável por impulsionar esse segmento no Brasil, driblando censuras da época e mantendo o público em alerta.

Entre os autores envolvidos estavam Alice Ruiz, hoje com 80 anos, e Paulo Leminski, falecido em 1989. Eles roteirizaram dezenas de histórias para revistas populares da Grafipar, assinadas por jovens quadrinistas e ilustradores da casa.

O período de maior atividade ficou entre o fim dos anos 1970 e o início dos 1980. Os gibis combinavam humor, erudição e erotismo, com vertentes que promoviam debates sobre gênero e autonomia feminina, sob a batuta de uma equipe que se manteve próxima à editora.

Grafipar

A Grafipar, sigla para Gráfica Editora Paraná Cultural, nasceu na década de 1960, voltando-se a publicações educativas e regionais. A partir de 1977, ampliou seu portfólio para revistas e quadrinhos adultos, liderados por Cláudio Seto.

Colaboradores como Marília Krul Guasque, Júlio Shimamoto e Itamar Gonçalves ganharam destaque na produção. Esses artistas trabalhavam como freelancers, recebendo roteiros da editora e seguindo o estilo das revistas em que eram veiculados.

Os relatos de antigos colaboradores indicam um processo de produção mais institucional do que pessoal: roteiro recebido, ilustração executada e envio dos desenhos por correio ou telefone, sem muita convivência entre autores.

A linha de revistas Rose, criada para explorar o erotismo de forma voltada ao público feminino, tornou-se foco de transformação interna. O objetivo era oferecer conteúdo erótico com um viés de empoderamento, com uma redação majoritariamente feminina.

Contudo, uma mudança interna acelerou o declínio da produção. Uma pesquisa interna revelou que a maioria dos compradores da Rose não eram mulheres, mas homens homossexuais atraídos pelas fotos de nus masculinos. A decisão resultou na demissão de grande parte da equipe de mulheres.

Mesmo diante das mudanças, as histórias de Ruiz e Leminski permaneceram registradas como parte de um movimento editorial que deixou marcas no cenário dos quadrinhos eróticos brasileiros, ao lado de obras como Catatau, de Leminski, com primeiras edições associadas à Grafipar.

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