- Três livros destacam a ligação entre futebol, família e geração: As Regras (Lilian Sais), Onar ’82 (José Roberto de Castro Neves) e Ontem Vi Meu Pai Chorar (Luiza Romão).
- Em cada obra, o futebol é apresentado como bem cultural passado entre pais e filhos, com diferentes dinâmicas de união e conflito.
- Onar ’82 foca nos heróis da Copa de 1982, mostrando a conexão entre pai e filho durante o afastamento da partida histórica; As Regras traz uma menina que torce pela mãe; Ontem Vi Meu Pai Chorar acompanha o primeiro choro de uma filha diante de derrota.
- As narrativas discutem masculinidades e emoções no futebol, incluindo um filho que admira o esporte sem compartilhar a emoção do pai e uma narradora que joga futebol em uma era de restrições.
- Sobre a Copa de 2026, os envolvidos mantêm expectativas e reconhecem que o futebol pode se revelar imprevisível, mantendo vivo o espírito da época de 1982 para alguns personagens.
A fila de lançamentos literários para a Copa do Mundo reúne três obras que tratam da relação entre futebol e família no Brasil. Os livros As Regras, Onar ’82 e Ontem Vi Meu Pai Chorar exploram a ideia de heranças culturais do esporte, especialmente entre pais e filhos.
As obras dialogam com o tema central de que o futebol é um bem cultural passado de geração em geração. Cada autor aborda esse fio condutor de formas distintas, ampliando o mapa do que significa acompanhar uma seleção em casa e fora.
A autora Lilian Sais apresenta uma narrativa que mescla autobiografia e autoficção. Em seu livro, o luto de uma família que assistia às Copas é revelado como parte da vida compartilhada. O texto não foca apenas no jogo, mas nas relações que ele sustenta.
José Roberto de Castro Neves, em Onar ’82, cria uma fantasia centrada nos heróis da Copa de 1982. Zico, Sócrates e Telê Santana aparecem como parte de um enredo que reimagina a geração que vivia o futebol como espaço de significado.
Luiza Romão assina Ontem Vi Meu Pai Chorar, obra infantojuvenil ilustrada. A narrativa acompanha o primeiro choro de um pai diante da derrota do time, mostrando como o futebol pode educar afetos e abrir diálogo entre pai e filha.
A Copa de 1982 aparece como marco emocional, não pelo desempenho do Brasil, mas pela convivência entre pai e filho que assistiam aos jogos juntos em casa, quando alguém estava adoentado. Esse vínculo é apresentado como núcleo afetivo da história.
As narrativas também deslocam o olhar de gênero. Neves imagina um filho que admira o esporte, mas não reage como o pai. Romão e Sais colocam as filhas na linha de frente das histórias, rompendo o padrão de masculinidade associada ao futebol.
Romão observa ainda que o futebol funciona como reduto de uma masculinidade enrijecida, ao mesmo tempo em que é espaço onde muitos homens se emocionam. O livro de Romão propõe educação afetiva por meio do jogo e da partilha entre gerações.
Sobre a Copa de 2026, os autores mantêm uma visão cautelosa: a experiência pode reacender a paixão, ainda que não se repita a mística de 1982. A obra de Sais admite abertura ao futebol como prática mais saudável e compartilhada.
Nos três títulos, o futebol é apresentado como arena de união e, por vezes, de afastamento. O conjunto sinaliza que a relação entre pais e filhos pode seguir caminhos diversos, sempre mediada pela memória do jogo. Fonte: Folhapress.
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