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Gabriela Prioli analisa o tema do bacupari em Imagine um bacupari

Prioli resgata Maria Firmina dos Reis, primeira romancista abolicionista do Brasil, e alerta para o apagamento que ancora imagens equivocadas

Gabriela Prioli — Foto: Renata Zambello/Acervo Pessoal
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  • Prioli resgata a trajetória de Maria Firmina dos Reis, primeira romancista abolicionista do Brasil, autora de Úrsula em 1859 sob o pseudônimo Uma Maranhense.
  • O texto aponta o apagamento de sua imagem: não há retratos confiáveis e circulam versões errôneas, como a atribuição de uma gaúcha branca chamada Délia a seus escritos.
  • Firmina, filha bastarda de mãe branca e pai negro, tornou-se professora efetiva, fundou a primeira escola mista gratuita do Brasil e rompeu o silêncio das mulheres negras.
  • Em Úrsula, mulheres e negros ganham voz plena, com Túlio, o escravizado, defendendo a humanidade dos personagens e mostrando uma leitura que desloca o olhar da época.
  • O artigo reforça o legado de resistência de Firmina e o convite para que novas vozes negras e femininas apareçam na literatura, mantendo a pergunta sobre quem falta imaginar.

Em sua nova coluna, a jornalista Gabriela Prioli resgata a vida de Maria Firmina dos Reis, reconhecida como a primeira romancista abolicionista do Brasil. A reflexão centra-se no apagamento de uma autora que só ganhou reconhecimento tardiamente.

Segundo Prioli, imagens de Firmina não vão além de relatos imprecisos. A ausência de retratos deixou espaço para interpretações e dúvidas sobre a identidade da escritora. A ideia é mostrar como o rosto pode moldar a memória histórica.

Maria Firmina dos Reis era filha bastarda de mãe branca e pai negro. A educadora tornou-se a primeira professora efetiva do Maranhão e fundou a primeira escola mista gratuita do Brasil. Seu trabalho, porém, foi esquecido por longos anos.

A brasileira escreveu em pleno século XIX, associando-se a nomes como Nísia Floresta e Juana Manso. Em 1859, publicou Úrsula sob o pseudônimo Uma Maranhense, indicando o uso do anonimato como proteção diante de uma época severa.

Prioli descreve como as imagens circulantes de Firmina são controversas. Muitas referências visuais associaram seu rosto a outras figuras, enquanto o registro fiel permaneceu pouco conhecido. O apagamento, nessa leitura, é uma forma de invisibilidade.

O romance Úrsula coloca uma jovem, um amor proibido e um tio cruel. A narrativa enfatiza a voz de personagens negros e a presença de uma heroína que não aceita ser marginalizada. A obra questiona estruturas de poder da época.

Ao longo do texto, Firmina imprime uma visão de mundo que dá voz a mulheres e escravizados. A autora usa linguagem acessível para alinhar romance popular com temas de resistência e dignidade humana.

A protagonista do romance e a amizade entre Tancredo, branco, e Túlio, negro escravizado, revelam a capacidade da obra de ampliar a compreensão de humanidade. O prólogo registra o desejo de incentivar futuras gerações.

A leitura de Prioli destaca a relevância histórica de Firmina como pioneira. A autora visava que outras mulheres tivessem educação mais ampla, mais timidez de voz, porém mais instrução.

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