- Balé da Cidade estreia a segunda temporada no Theatro Municipal, com as peças Coro Umbral, de Andrea Peña, e Até que se Abra Tudo, de Michelle Moura.
- Coro Umbral usa uma estrutura de aço de 1,2 tonelada na cenografia, influenciando a movimentação dos 15 bailarinos e aproximando indivíduo e grupo.
- A coreografia de Peña mescla dança, design industrial e instalação, buscando a tensão entre autonomia e pertencimento em tempo real, com pequenas variações a cada apresentação.
- Até que se Abra Tudo investiga o extrativismo emocional e físico, partindo do gesto de cavar e abrir para explorar a relação entre corpo e terra.
- A temporada marca a estreia sob a direção artística de Luiz Fernando Bongiovanni, ex-diretor do Balé Teatro Guaíra.
Um novo ciclo do Balé da Cidade chega ao Theatro Municipal de São Paulo, com duas estreias que discutem o corpo coletivo diante da ruptura com a natureza. A coreografia Coro Umbral, de Andrea Peña, e Até que se Abra Tudo, de Michelle Moura, abrem a segunda temporada da companhia.
A montagem de Peña cruza dança, design industrial e arte instalativa, com uma estrutura de aço de 1,2 tonelada em cena. Os bailarinos atuam em fila, avançam e recuam, até que a peça evolui para uma interação direta com o público. A obra investiga a relação entre autonomia individual e pertencimento ao grupo.
Até que se Abra Tudo parte de um eixo conceitual sobre extrativismo, não apenas de recursos naturais, mas das próprias emoções e desejos. A coreografia utiliza o gesto de cavar e o ato de abrir para estruturar a movimentação e as imagens, conectando o corpo humano à ideia de terra.
Novas obras exploram corpo coletivo
Peña desenvolveu uma linguagem que alterna momentos precisos com improvisação controlada, gerando variações em cada apresentação. A coreógrafa propõe um ecossistema em que os intérpretes tomam decisões em tempo real, sob uma cenografia monumental que interfere na dança.
A concepção de Coro Umbral coloca em cena 15 bailarinos em estados de acúmulo, resistência e concessão, num ambiente de tensão entre o individual e o coletivo. Em cena, os corpos se fundem, se fraturam e se sustentam mutuamente, sob a direção de Peña, que atua também como ponte entre culturas latino-americanas e a ideia de caos sagrado.
Michelle Moura investiga o pertencimento a partir da percepção de que fronteiras entre humano e meio ambiente podem ser menos fixas do que parecem. A peça sugere que o modo de ocupação do solo se reflete no corpo, ampliando a reflexão sobre vulnerabilidade, cooperação e transformação.
Transição na gestão da companhia
As estreias marcam o início da nova fase artística do Balé da Cidade, sob a direção de Luiz Fernando Bongiovanni, ex-diretor do Balé Teatro Guaíra. A temporada pretende articulaar a tradição da companhia com propostas contemporâneas de linguagem corporal. A programação atual aponta para uma leitura crítica sobre coletivo e natureza, sem abandonar a precisão técnica do elenco.
Entre na conversa da comunidade