- O inverno chegou e, além dos tintos mais encorpados, o frio também valoriza brancos, rosados e vinhos laranjas como opção.
- Combinações com comida importam: fondue, raclette e pratos alemães vão bem com vinhos brancos; a tábua de queijos costuma pedir um branquinho como curinga.
- Dicas de pares: Champagne e espumantes complexos para cortar gordura e acompanhar peixes invernais; vinhos laranja com pratos densos; rosados estruturados; vinhos brancos doces com foie gras e queijos azuis; Jerez oxidativo com carnes braseadas.
- O vinho não-tinto que mais lembra o inverno é o Vin Jaune do Jura, parecido com um Jerez Amontillado, embora caro no Brasil; pode-se usar savagnin non-ouillé como alternativa.
- O chef Pablo Cáceres, da vinícola Vik, lançou o livro A Horta de VIK, com sugestão de sopa de abóbora e harmonização com o rosado La Piu Belle.
O inverno pede vinhos de várias cores, não apenas tintos encorpados. Com a temperatura menor, há espaço para brancos, rosés e até laranjas ganharem protagonismo ao lado dos clássicos rótulos mais robustos.
Apesar de o cardápio costumizar-se com pratos quentes, as combinações possíveis não se resumem aos pares tradicionais. A ideia é privilegiar a diversidade e explorar como cada vinho se comporta em diferentes contextos culinários do frio.
A comida como aliada
Para muitos, não há regra rígida na hora de harmonizar. Em regiões frias, vinhos de menor intensidade costumam acompanhar pratos que aquecem o corpo, sem abrir mão da mineralidade e acidez que os brancos podem oferecer. Risotos, fondues e raclètes aparecem como pares frequentes, quando disponíveis.
Quando o assunto é “queijos e vinhos”, um branco pode servir como curinga para a variedade de sabores de uma tábua, sem excluir os tintos a pedido dos convidados. A prática lembra que boa acidez ajuda a cortar a gordura de molhos cremosos e que os brancos podem acompanhar preparos com cogumelos e especiarias.
Curingas do inverno
Champanhe e espumantes complexos mantêm a acidez, a elegância e as bolhas que ajudam a limpar a boca em pratos ricos, como peixes de carne branca com molhos manteigados ou risotos com fungos. Vinhos brancos de maceração também exibem versatilidade, especialmente em combinações com pratos de carne mais densa ou com preparos aromáticos.
Vinhos brancos de personalidade mineral, como algumas expressões de alvarinho ou Muscadet, costumam acompanhar pratos de sabor mais contido, enquanto laranjas e rosés com estrutura ajudam em preparos com especiarias e pratos mais robustos. Doces de colheita tardia e estilos oxidativos ampliam o leque para foie, queijos azuis e pratos de carne.
Vinhos que lembram o inverno
Entre os estilos oxidativos, vinhos de Jura, no norte da França, aparecem como fortes associações com o frio. O sabor de nozes e frutas secas sugere combinações com aves e molhos de cogumelos. Na prática, variantes de savagnin podem ser utilizadas como alternativa quando o acesso a rótulos tradicionais é difícil.
No Brasil, a disponibilidade de vinhos de estilos similares pode exigir opções de importação ou escolhas locais com perfil oxidativo. Em qualquer caso, o foco continua sendo encontrar equilíbrio entre acidez, mineralidade e intensidade para acompanhar pratos quentes de inverno.
Um toque de experiência
Recentemente, a presença de chefs e lançamentos de livros associados ao universo vinícola trouxe sugestões de harmonização para dias frios. Recomenda-se experimentar rótulos de rosé com sopas de abóbora e vinhos brancos mais estruturados com pratos de cogumelos. A ideia é adaptar-se ao que estiver disponível, mantendo o equilíbrio entre vinho e comida.
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