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Realizador da Flip comenta bastidores da feira literária

Mauro Munhoz diz que a Flip transforma a leitura em ferramenta para enfrentar o mundo, elevando carreiras de autores e conectando mercados Brasil-Portugal

Foto: COLAGEM DE THAIS BARROCO EM FOTO DE TABA BENEDICTO/ESTADÃO
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  • Em Paraty, em 2011, a Flip recebeu Valter Hugo Mãe, cuja passagem esgotou o livro e mudou a carreira do escritor, segundo Mauro Munhoz.
  • Munhoz, diretor artístico da Associação Casa Azul, afirma que a Flip transformou a vida do livro e do autor ao ser escolhida para a programação principal.
  • A Flip, criada em 2003, hoje reúne vinte e um mesas principais, ao redor das quais se conectam quarenta e quatro casas parceiras e até setecentas atividades durante os cinco dias do festival.
  • A edição de dois mil e vinte e seis, de vinte e dois a vinte e seis de julho, terá Rita Palmeira como curadora literária e homenageará a poeta Orides Fontela.
  • Para Munhoz, a essência da programação está na ideia de que a poesia surge quando há espaço para a palavra aparecer, especialmente em tempos de instabilidade e velocidade.

Em Paraty, a Flip — Festa Literária Internacional — se consolidou como referência entre os grandes festivais do gênero na América Latina. Em 2011, a organização abriu espaço para um escritor português que ainda era pouco conhecido no Brasil, ao lado de Pola Oloixarac, estrela argentina da época. O momento ficou marcado pelo ritmo intenso de autógrafos e pela demanda pelo livro que esgotou rapidamente.

Segundo Mauro Munhoz, atual diretor artístico e cultural da Associação Casa Azul, a participação daquele autor mudou a carreira dele, inclusive no mercado editorial de Portugal, que reconhece o tamanho do público brasileiro. Para Munhoz, a presença na programação principal da Flip pode transformar a trajetória de um livro ou de um escritor.

A Flip foi criada em 2003, com a ideia de transformar a cidade de Paraty, tradicionalmente pacata, em um polo literário de destaque mundial. Hoje, a programação principal conta com 21 mesas, cifra preservada desde a primeira edição. Ao redor, 44 casas parceiras e uma ampla programação educativa compõem o ecossistema.

Perspectivas da edição 2026 e a curadoria

A edição de 2026 está marcada para ocorrer de 22 a 26 de julho, mantendo o formato que já reuniu milhares de atividades ao longo de cinco dias. A curadora literária escolhida foi Rita Palmeira, que homenageia a poeta Orides Fontela. A organização estima a realização de até 700 atividades no total durante o evento.

Munhoz afirma que a base da programação é a ideia de poesia como resposta à instabilidade da palavra. Abertura para a invenção e a tolerância ao que não está resolvido são apontadas como características centrais para enfrentar o mundo atual, segundo o organizador.

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