- Susy Freitas, escritora de Manaus, vai apresentar o livro No Baile do Juízo Final na Flip, ao lado de Eva Baltasar.
- O livro reúne contos, novelas e ensaios ambientados em Manaus, com narrativa que busca provocar o leitor sem explicações claras.
- A autora afirma que a cidade dissolve memórias e passado, citando povos indígenas e casarões da era da borracha como elementos marcantes.
- No cenário editorial, a obra é publicada pela Todavia, mantendo o percurso independente da autora, que não busca agradar ao mercado paulista.
- Freitas defende ampliar o alcance da literatura brasileira, criticando a concentração do mercado no Sudeste e defendendo mais visibilidade para autores do Amazonas.
Susy Freitas, escritora de Manaus, lança No Baile do Juízo Final na Flip, palco de debates literários. A obra mescla contos, novelas e ensaios, ambientados em Manaus, com narrativa que busca provocar sensações no leitor, sem compromisso de esclarecer tudo.
A autora, de 40 anos, afirma que prefere provocar dúvidas e sentimentos em vez de entregar explicações completas. Em entrevista, ela disse que a literatura pode ser delirante e que o leitor pode ficar surpreso, com tesão ou medo, sem necessidade de decifrar todas as referências.
A apresentação da obra está programada para a Flip, evento que ocorrerá em local ainda a ser divulgado. Susy Freitas dividirá o palco com a escritora catalã Eva Baltasar, fortalecendo a leitura experimental que marca a sua trajetória.
No Baile do Juízo Final se passa em Manaus, explorando uma identidade literária que cruza contos, mini‑novelas e ensaios. A narrativa se conecta a personagens marcantes e a relatos com forte personalidade, que conduzem a uma conclusão construída de forma subjetiva.
Freitas reforça que a cidade inspira a sua visão de mundo: Manaus é retratada como lugar de dissolução de memórias, com referências à história local, aos povos indígenas e aos casarões da era da borracha. A autora descreve a cidade como espaço de mudanças rápidas e de memórias frágeis.
No cenário da literatura local, a autora aponta que há uma cena plural, com intersecções entre subculturas e práticas artísticas diversas. O trabalho se insere numa produção que reúne autores independentes, com foco em margens, fantasia amazônica e uma presença relevante da literatura queer.
Sobre o alcance nacional, Freitas comenta que o mercado editorial brasileiro ainda é concentrado no Sudeste, o que dificulta a visibilidade de autores nascidos em estados como o Amazonas. Ela defende que não deveria ser mandatório que escritores migrem para grandes centros para projetar seu trabalho.
A autora iniciou a carreira publicando poesia em editoras independentes, antes de migrar para contos e romances. No Baile do Juízo Final sai pela editora Todavia, veículo de maior peso, após passagem por editoras independentes de São Paulo. Freitas relata ter seguido escrevendo e enviando obras a oportunidades que surgem, sem se ajustar a pressões de mercado.
Ela aponta que a centralização editorial não deve impedir o eu criativo: a distribuição de oportunidades depende de editores, revisores e da rede que sustenta o circuito literário. O objetivo é ampliar a visão do que é considerado boa literatura brasileira, indo além de rótulos de “Brasil profundo”.
A cobertura da Flip, conforme apurado pela imprensa, destaca a presença de nomes que promovem experimentação e diversidade na cena brasileira. Susy Freitas integra esse painel ao lado de criadores que levam obras de Manaus a palcos nacionais, ampliando o alcance de estilos e vozes emergentes.
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