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Artista transforma vidro fundido em iguarias visuais irresistíveis

Miwa Ito transforma vidro fundido em iguarias que parecem comestíveis, unindo tradição japonesa e estética da cultura pop

Com vidro fundido, Miwa Ito cria obras que parecem macias e deliciosas (mas não coma!)
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  • A artista Miwa Ito, vidreira de Osaka, transforma vidro fundido em iguarias e objetos que parecem comestíveis, expostos em seu ateliê na cidade.
  • A técnica de sopro de vidro é usada para criar formas que passam a sensação de creme, geleia ou molho, controladas pelo calor, tempo e movimentos rápidos.
  • Além de porções que parecem pratos, Ito produz recipientes, animais e personagens animados, como as taças Goofy Goblets e as canecas Slime Mugs e Chubby Mugs.
  • O projeto Glassman poo poo mostra o processo criativo online, apresentando o trabalho como se fosse uma receita: vidro fundido, moldagem, cortes, adições e reaquecimento.
  • As obras dialogam com o itadakimasu, expressão de gratidão antes das refeições, unindo tradição japonesa à estética lúdica da cultura pop.

Miwa Ito transforma vidro fundido em peças que parecem iguarias, mas não são comestíveis. A artista japonesa usa a técnica do sopro de vidro para criar objetos que lembram alimentos, recipientes, animais e personagens de desenho animado, em Osaka.

Nascida em Osaka, Ito formou-se em 2018 no curso de Vidro da Universidade KINDai e atua no estúdio GGG. Sua pesquisa explora vida, gratidão e beleza serena por meio de formas lúdicas, movidas pela fluidez do material.

O trabalho leva o vidro, normalmente visto como frio, ao universo gastronômico. Pedidos que aparentam calor e maciez, como tigelas, guiozas, donuts e cachorros-quentes, surgem da manipulação cuidadosa do material ainda em estado maleável.

Sobremesas proibidas: a técnica do sopro de vidro

Por trás de cada peça está um processo que envolve calor, fôlego, timing, gravidade e movimentos rápidos. O controle é vital para manter a forma sem torná-la rígida ou quebradiça.

A artista descreve o método como uma dança entre tradição e cultura pop. O vidro, ao esfriar, muda de estado e define a imagem final apenas em um curto intervalo de tempo.

Além das iguarias, Ito produz objetos com personalidade. Goofy Goblets, Slime Mugs e Chubby Mugs brincam com formas que parecem intermediárias entre líquido e sólido, conferindo charme e humor às peças.

Vasos e pires seguem a mesma linha, alargando o espaço entre funcionalidade e esculturas com traços que sugerem vida própria, sem perder a utilidade.

Apoiada por vídeos no projeto Glassman poo poo, a artista mostra parte do processo online. Os conteúdos apresentam o vidro como se fosse receita, com etapas de coleta, moldagem, cortes, aquecimento e montagem.

Ito afirma que o vidro provém da terra e que o calor e o tempo conduzem o material. Em seu site, a prática é descrita como uma lembrança de que o ser humano faz parte de um sistema natural maior.

O conjunto de obras vai além da gastronomia. Entre recipientes, animais e esculturas, as peças mantêm uma presença entrópica, onde o look é amigável, porém intocável, sem por isso perder a espontaneidade.

Entre as peças destacam-se as expressões de personalidade, com olhos que sugerem presença. A tradição japonesa de enxergar espírito em objetos ganha aqui uma leitura contemporânea, conectando tradição e cultura digital.

A inspiração de Ito envolve a expressão Itadakimasu, convite à gratidão antes das refeições. A prática, aliada à ludicidade, transforma o ato de comer em uma reverência pela cadeia de vida, trabalho e cuidado envolvida.

A artista ressalta que não utiliza tecnologias modernas na prática de sopro, mantendo o diálogo entre ancestralidade e estética de desenhos animados. O resultado é acessível: donuts de vidro despertam curiosidade antes de qualquer explicação.

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