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Arte transforma vidas de pessoas em situação de rua em São Paulo

A arte se torna um caminho de resiliência e identidade para artistas em situação de rua, revelando histórias de superação e transformação.

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Gleice Cassiane de Castro, uma artista que viveu nas ruas de São Paulo por mais de 30 anos, fala sobre como a arte a ajudou a enfrentar desafios e encontrar um propósito. Desde pequena, ela usou a criação artística como uma forma de se expressar e sobreviver. Gleice participou da exposição “A Arte do Povo da Rua”, onde mostrou suas obras e compartilhou sua história de superação. Ela acredita que a arte é essencial para a cura e a liberdade, e agora se dedica à música e à pintura. Darcy Costa, que também viveu em situação de rua, fundou o Centro de Integração Social pela Arte, Trabalho e Educação (Cisarte) para ajudar outras pessoas em situação semelhante a recuperar a autoestima e a autonomia através da arte. Moji Shirazi, uma artista iraniana que fugiu de seu país em busca de liberdade, também encontrou na arte um meio de se expressar e afirmar sua identidade no Brasil. Ela vive em um abrigo com seu filho e sonha em retomar sua carreira artística. A arte é vista como uma forma de resistência e transformação para essas pessoas, que enfrentam a desumanização e a exclusão social.

Gleice Cassiane de Castro, artista em situação de rua, destaca a importância da arte como forma de expressão e resiliência. Ela faz parte da exposição “A Arte do Povo da Rua”, promovida pela Defensoria Pública de São Paulo, que reúne obras de criadores em acolhimento. Gleice, que viveu nas ruas de São Paulo por mais de 30 anos, encontrou na arte um meio de sobreviver e se expressar.

A artista relata que a criação sempre foi seu modo de existir. “Agora eu tô mais focada na música e na pintura, porque no quadro dá para eu expressar melhor o que tô sentindo”, afirma. Sua obra recente, uma pintura abstrata, simboliza a liberdade e transformação, refletindo sua trajetória de vida marcada por desafios e superações.

A terapeuta ocupacional Carla Regina Rilva, que trabalha com pessoas em situação de rua, explica que a arte ajuda a resgatar emoções e valorizar saberes. “As artes são estratégias sensíveis e críticas de tornar esse mundo menos hostil”, afirma. A arte, segundo ela, é um caminho para a reconstrução da identidade e da autoestima.

Darcy Costa, diretor do Centro de Integração Social pela Arte, Trabalho e Educação (Cisarte), também compartilha sua experiência. Ele viveu em situação de rua e encontrou na arte um meio de recuperação. O Cisarte oferece oficinas que ajudam a resgatar a autoestima e a autonomia de pessoas em vulnerabilidade. “A arte mexe com as emoções e os sentimentos que a pobreza e o sofrimento roubaram”, diz Darcy.

A situação da população em situação de rua no Brasil é alarmante. Dados recentes apontam que mais de 335 mil pessoas vivem nas ruas, com uma significativa parcela se autodeclarando preta ou parda. Em São Paulo, a crise é ainda mais aguda, com cerca de 143 mil pessoas nessa condição.

Moji Shirazi, artista iraniana, também destaca a arte como forma de afirmação. Ela fugiu da repressão no Irã e encontrou no Brasil um espaço para criar. “A arte é um canal para afirmar minha identidade”, afirma Moji. Apesar das dificuldades, ela busca retomar sua produção artística e sonha em ser reconhecida como artista.

A exposição “A Arte do Povo da Rua” é um passo importante para dar visibilidade a essas histórias e experiências. A arte, além de ser uma forma de expressão, é uma ferramenta de transformação social e resiliência para aqueles que enfrentam a desumanização e a exclusão.

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