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Estudo diz que pop ficou mais simples e negativa nos últimos 50 anos

Estudo analisa mais de 20 mil canções do Billboard Hot 100 entre 1973 e 2023 e aponta tom mais sombrio e letras mais simples na música pop, refletindo tensões do século XXI

(Mark Luis/Unsplash)
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  • Estudo analisou mais de vinte mil canções que entraram no Billboard Hot 100 entre mil novecentos setenta e três e dois mil e vinte e três.
  • Constatou tom emocional da música pop mais sombrio e introspectivo ao longo do tempo, com maior presença de palavras ligadas ao estresse e construção verbal mais simples.
  • No Brasil, parte da MPB atual também privilegia dilemas internos e desencanto, em contraste com temas clássicos de encontros e paisagens.
  • Os autores ressaltam que os padrões são estatísticos e não significam o fim de músicas alegres ou sofisticadas; a variedade permanece nas paradas.
  • Eventos traumáticos não ampliaram a angústia como esperado: houve leve aumento da positividade; em mil-não seis, a complexidade lírica voltou a crescer, associada ao contexto político.

Stevie Wonder marcou a década de 1970 com músicas pop sobre amores imensuráveis e alegrias que explodem no peito. Isn’t She Lovely celebra o nascimento de sua filha, While I Just Called To Say I Love You fala de um romance simples, porém marcante. A evolução da música pop, entretanto, tem sido objeto de estudo recente.

Um estudo analisa mais de 20 mil canções que entraram no Billboard Hot 100 entre 1973 e 2023. O objetivo é entender o tom emocional das letras ao longo de quase cinco décadas. Os autores mostram um movimento gradual em direção a um registro mais sombrio e direto.

Metodologia

Para medir a linguagem, os pesquisadores usaram um algoritmo de compressão. Letras mais fáceis de comprimir indicam vocabulário menos variado e construção verbal mais simples, com repetições frequentes. O estudo cita a música Work, de Rihanna, como exemplo de repetição que reduz a complexidade linguística.

Principais resultados

A análise aponta queda de otimismo e aumento da negatividade nas letras. Palavras associadas ao estresse, como pressão, luta e sozinho, tornam-se mais comuns nas paradas recentes. Em contrapartida, a sofisticação linguística parece ter diminuído ao longo do tempo.

A pesquisa também observa que a mistura de emoções nas paradas persiste. Embora haja aumento de estresse e simplicidade, houve correlação negativa entre esses elementos quando o tempo foi removido, indicando que estresse alto não implica necessariamente letras mais complexas.

Contexto brasileiro

No Brasil, a mudança é semelhante: a MPB, que antes exaltava encontros e paisagens, passa a explorar dilemas internos e desencantos. Ainda assim, os autores ressaltam que não se trata do fim de músicas alegres; padrões estatísticos são descrições gerais.

Eventos históricos e variações

Os autores testaram hipóteses sobre eventos traumáticos, como 11 de setembro e a pandemia. Esperava-se que as letras ficassem mais angustiadas, mas o efeito foi o oposto: houve leve aumento de positividade e menor estresse nas paradas.

Em 2016, houve um momento de retomada da complexidade lírica. O estudo associa esse giro ao primeiro mandato de Donald Trump, sem esclarecer as razões. O período revela, porém, uma inflexão de curto prazo.

Considerações

O retrato agregado mostra uma música pop mais introspectiva, ansiosa e economicamente linguística. Esse quadro pode refletir instabilidade, hiperexposição emocional e comunicação mais imediata. A música continua sendo um termômetro cultural.

As conclusões sugerem que, se a música contemporânea é mais direta e mais triste, isso pode refletir tensões e mudanças da vida cotidiana do século 21. A pesquisa frisa, no entanto, que o cenário não elimina canções alegres, nem a diversidade de estilos.

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