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Morte de mestre de cultura popular é comparada a incêndio de biblioteca

A morte de mestre de cultura popular é como fogo que consome biblioteca; alerta para valorização e transmissão de saberes das tradições

Foto: Divulgação
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  • Estêvão dos Reis, doutor e mestre em Música pela Unicamp, critica a troca de termos entre folclore, cultura popular e patrimônio imaterial.
  • Em entrevista à CartaCapital, ele defende atualizar o conceito de folclore para afastar a ideia de algo apenas fantasioso.
  • No livro O Folclore É um Processo (2024), ele propõe ampliar o foco para o desempenho (performance) e entender o folclore como conhecimento rico, não congelado.
  • Ele diz que, quando morre um mestre, é como se colocasse fogo numa biblioteca, ressaltando a relação complexa de transmissão entre mestres de folia de reis, congado e maracatu.
  • Os mestres representam saberes de tradições com mais de duzentos anos; segundo ele, devem ser vistos como artistas e levar em conta os custos econômicos de montar apresentações que demandam meses de preparação.

Em entrevista à CartaCapital, Estêvão dos Reis, doutor e mestre em Música pela Unicamp, critica a incompreensão sobre as tradições populares brasileiras e a troca de nomes para folclore. O pesquisador aponta que a valorização dos saberes não pode depender apenas do rótulo utilizado.

Ele defende ampliar o conceito de folclore a partir dos estudos da performance, para que a prática não seja vista como algo congelado ou apenas fantasioso. A ideia é reconhecer o folclore como um conjunto de conhecimentos vivo e dinâmico.

Segundo Reis, o desafio de entender como se forma um mestre de folia de reis, congado ou maracatu revela a complexidade da transmissão de saberes. Ao morrer um mestre, ele afirma, é como se colocasse fogo numa biblioteca, evidenciando a perda de saberes.

Os mestres e mestras detêm saberes de tradições com centenas de anos de prática. Grupos de folias, congados e maracatus permanecem ativos há mais de duas séculos, mantendo resistência, organização e identidade cultural.

Reis ressalta ainda a origem religiosa de muitas práticas de performance, ainda que nem todos os integrantes sejam devotos. O aspecto econômico não pode ser ignorado, pois a prática demanda investimento e meses de preparação.

Para o pesquisador, é essencial que essas culturas sejam vistas como artistas que produzem saberes e artes. A valorização financeira acompanha a complexidade das apresentações, que se ajustam às raízes sem perder a essência.

Perspectiva sobre o folclore e a valorização econômica

A entrevista reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre o folclore, evitando visões romântizadas. O trabalho de transmissão revela realidades de custo, organização e adaptação contínua dos grupos.

A conversa de Estêvão dos Reis com a CartaCapital destaca a importância de políticas públicas que valorizem o campo, reconheçam a criatividade dos coletivos e assegurem continuidade das tradições. O tema permanece central para a cultura brasileira.

Assista à entrevista de Estêvão dos Reis à CartaCapital. Fonte: CartaCapital.

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