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Álbum celebra vissungos e a força dos tambores afro-mineiros

Vozes Vissungueiras resgata cantos vissungos da diáspora africana em Minas, com Juçara Marçal, Tiganá Santana e Enilson Viríssimo, ampliando o repertório

Ilustração: Silvana Martins
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  • Lançamento do álbum Vozes Vissungueiras, com quinze cantos que recuperam os vissungos, cantos de origem afro-mineira.
  • Participam Juçara Marçal, Tiganá Santana, Sérgio Pererê e o mestre vissungueiro Enilson Viríssimo de Milho Verde, Serro.
  • O disco resgata tradições que surgiram no século XVIII em Minas Gerais, usadas como cantos de trabalho na mineração, mantendo presença ritual.
  • A produção combina percussão com baixo, violão, guitarra e flauta, preservando a carga tradicional mesmo com leitura contemporânea.
  • O projeto, apoiado pela Mukuá – Laboratório de Estudos sobre Vissungos, busca a ressignificação da herança bantu e aponta uma dimensão política da memória afro-brasileira.

O álbum Vozes Vissungueiras revisita os vissungos, cantos que já marcaram a força dos tambores afro-mineiros. São 15 cantos que resgatam traços da diáspora africana em Minas Gerais, conectando passado e presente.

Participações destacam nomes como Juçara Marçal, Tiganá Santana e Sérgio Pererê, além do mestre vissungueiro Enilson Viríssimo, de Milho Verde, Serro. O conjunto reforça a relação entre cantos de trabalho e rituais afro-mineiros.

A produção é assinada pela diretora musical Salloma Salomão, com curadoria de Rita Teles, Luciano Mendes e Joana Corrêa. O repertório foi construído a partir de registros orais de comunidades quilombolas de Serro e Diamantina, no norte de Minas.

Além disso, o projeto utiliza partituras reunidas pelo filólogo Machado Filho e referências de obras anteriores, como O Canto dos Escravos, de 1982, que incluíam nomes como Tia Doca da Portela. A instrumentação amplia a percussão, com baixo, violão, guitarra e flauta, mantendo a essência dos vissungos.

O registro atual mantém a carga das tradições, com timbres que soam brando e refinado. O projeto se define como uma ressignificação das comunidades detentoras dos cantos ancestrais.

Contexto histórico

O retorno aos vissungos reconhece a raiz bantu da tradição, que nasceu na mineração do século XVIII em Minas. O trabalho de campo dialoga com registros orais, acervos históricos e apresentações de mestres da região, preservando memória e técnica.

O Mukuá – Laboratório de Estudos sobre Vissungos participa da produção e trabalha em um documentário na região de Serro e Diamantina. A iniciativa busca ampliar o alcance e a compreensão sobre esse patrimônio imaterial.

Segundo Salloma Salomão, a preservação da herança afro-diaspórica é parte de uma discussão sobre identidade cultural no Brasil. O álbum é apresentado como um movimento de ressignificação que destaca a força dos tambores e das vozes que os conduzem.

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