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Por que ninguém sabe tocar música de 140 anos

Pesquisador compara gravações de Aus der Jugendzeit!! para sugerir interpretação guiada pelo contexto biográfico de Ethel Smyth

Fotografia da Dame Maria Ethel Smyth tocando piano.
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  • Ethel Smyth escreveu, entre 1878 e 1880, a peça para piano Aus der Jugendzeit!!, dedicada às iniciais “E. v. H.”, mas a obra ficou incompleta.
  • O manuscrito original, hoje no Museu Britânico, contém 49 compassos com mais de 600 notas, sem final ou marcadores de performance.
  • Estudiosos e intérpretes enfrentam diferentes leituras de tempo, rubato e final incompleto, já que não há indicações claras de como tocar a peça.
  • O pesquisador Christopher Wiley, da Universidade de Surrey, propõe interpretar a obra a partir do contexto biográfico de Smyth, buscando quem foi E. v. H.
  • A biografia de Smyth revela relacionamentos e atividades feministas que influenciaram sua vida e, segundo o estudo, podem esclarecer a interpretação histórica da música.

O professor Christopher Wiley, da Universidade de Surrey, analisou a interpretação da peça Aus der Jugendzeit!!, de Ethel Smyth. O estudo, publicado no periódico Performance Research, investiga como uma obra inacabada pode ser interpretada por pianistas profissionais. A pesquisa usa gravações para comparar tempo, rubato e variações de andamento.

A obra foi composta entre 1878 e 1880, na Inglaterra, mas nunca recebeu uma leitura definitiva. O manuscrito está no Museu Britânico, com mais de 600 notas distribuídas ao longo de 49 compassos. A falta de um final agrava o desafio de interpretar a peça.

O estudo de Wiley avaliou três interpretações distintas: a de Liana Șerbescu, gravada em 1995; a de Heloïse Palmer, de 2016; e a de Carolyn Enger, em uma apresentação de 2020. Cada versão apresenta escolhas técnicas diferentes, principalmente no início, no andamento e no desfecho.

Segundo o pesquisador, as performances variam entre começar rápido, com flutuações de tempo acentuadas, e iniciar de forma mais lenta, buscando uma linha de rubato menos marcada. O fim inacabado da partitura incentiva cada pianista a improvisar uma conclusão.

Para orientar a leitura, Wiley propõe que a interpretação leve em conta o contexto da época em que Smyth escreveu a peça. A biografia da compositora, incluindo cartas e registros pessoais, pode oferecer pistas sobre a intenção por trás da partitura inacabada.

E. v. H.

A peça era dedicada a uma pessoa identificada pelas iniciais E. v. H. Smyth descreveu, em suas obras e cartas, uma relação marcada por intensas paixões com várias mulheres, incluindo Elisabeth von Herzogenberg. A ligação com a esposa do professor é destacada na biografia da compositora.

Smyth nasceu em 1858, em uma família inglesa, e enfrentou barreiras para estudar música. Ela se destacou como compositora, escritora e militante do movimento sufragista, com uma vida marcada por relacionamentos e controvérsias. A autora publicou autobiografias que ajudam a entender o contexto afetivo de suas obras.

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