- Annea Lockwood, compositora neozelandesa e pioneira em gravações de campo, celebra carreira dedicada a ouvir sons do cotidiano e transformá-los em música.
- Artista reúne artefactos sonoros em Pianos e outros experimentos, incluindo Piano Burning (1968) e Piano Garden, explorando sons à medida que os instrumentos são destruídos ou cultivados.
- Em obras como World Rhythms e A Sound Map of the Danube, mistura sons de terremotos, vulcões, geadas, rios e batimentos humanos, questionando como ouvir grandes ritmos do mundo.
- No Counterflows, Glasgow, ela apresenta Bayou-Borne, peça inspirada por rios próximos a Houston e homenageia Pauline Oliveros; Ruth Anderson influenciou sua trajetória e parceria amorosa.
- A edição expandida de World Rhythms já está disponível pela gravadora Room 40; Lockwood continua produzindo trabalhos que conectam som ambiental e memória, incluindo The Conversations com Anderson.
Annea Lockwood, compositora de Nova Zelândia, completou 86 anos mantendo vivo o foco na escuta de sons cotidianos. Em Glasgow, durante o festival Counterflows, ela apresenta um piano antigo enterrado no jardim, convidando músicos e público a produzirem sons com detritos do espaço. Suas ações integram uma trajetória que mistura destruição estimulante de instrumentos com a transformação sonora de ambientes.
A revolução sonora de Lockwood começou nos anos 1960, quando passou a queimar pianos, registrar terremotos e explorar as paredes da paz em Belfast. Criações como Piano Burning e Piano Garden marcaram a relação entre som ambiente e processo físico, abrindo caminho para registros de fenômenos naturais e urbanos. Sua pesquisa abrange mapas sonoros de rios e intervenções em espaços de conflito, sempre buscando o que surge quando um som é transformado.
A trajetória e as obras centrais
Após estudar música na Universidade de Canterbury e migrar para o Reino Unido, Lockwood aprofundou a pesquisa em música eletrônica europeia, mas encontrou um “som morto” em muitos ambientes. A partir dessa percepção, ganhou foco no som ambiental e em como ouvir um único evento sonoro como se fosse uma frase musical.
A série World Rhythms reuniu gravações de terremotos, vulcões e ritmos biológicos, organizados para revelar padrões. Em parceria com Ruth Anderson, museu de memórias e inventos, Lockwood criou obras que dialogam entre si, como Conversations e a peça For Ruth, que combina gravações de chamadas telefônicas com sons da natureza.
Atualidade e próximos lançamentos
No festival, Lockwood retorna ao World Rhythms, agora com uma edição expandida que utiliza remasterizações. O conjunto também celebra a relação com Pauline Oliveros, cuja influência atravessa gerações. Além disso, a obra Bayou-Borne, escrita para Oliveros, continua a dialogar com as atrozes lembranças de Belfast.
Recentemente, a pesquisadora lançou On Fractured Ground, registro de sons do cenário de conflitos na Belfast das paredes divisórias. Aos 86 anos, a artista segue investigando a fratura entre som e significado, destacando que a audição atenta pode funcionar como prática de meditação, independentemente da natureza do ruído gerado.
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