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Pesquisa aponta sons das periferias como alternativa ao algoritmo dominante

Estudo mostra que gostos brasileiros nascem na rua, não na playlist, e algoritmos ampliam tendência, reforçando distorções regionais

O cantor de forró Filho do Piseiro
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  • A pesquisa “Reset da Mesmice” aponta que um a cada quatro brasileiros sente que seus gostos estão genéricos e 37,7% vivem num “eterno looping” de novidades falsas.
  • 60,9% veem algoritmos de streaming como principal fonte de descoberta musical, enquanto 49,2% ficam confusos entre o que gostam de verdade e o que foi recomendado.
  • A música brasileira nasce na rua — paredões, festas e outras vivências — e só depois ganha alcance nas plataformas, não o contrário.
  • O IBGE mostra a idade mediana do país subindo de 29 anos, em 2010, para 35 anos, em 2022, o que aumenta a nostalgia e a busca por memórias menos mediadas.
  • Ritmos do interior e de regiões diversas ganham espaço no mainstream, com exemplos como Barões da Pisadinha, pagode dos anos noventa e surgimentos ligados a paraísos de entretenimento, indicando que o regional já dita tendência.

A pesquisa Reset da Mesmice, realizada pela BOX1824 em parceria com Heineken, aponta que o gosto musical dos brasileiros está sendo moldado pela repetição de algoritmos. Um quarto da população percebe suas preferências como genéricas e 37,7% vivem em um looping onde nada parece verdadeiramente novo.

Entre os impactos revelados, 60,9% citam plataformas de streaming como principal fonte de descobertas musicais, como Spotify, YouTube e TikTok. Ainda assim, 49,2% afirmam sentir confusão entre o que gostam de verdade e o que foi recomendado pela máquina.

A percepção de que o algoritmo reproduz tendências já conhecidas ganha contorno com exemplos da cultura popular. Ritmos como pagode dos anos 1990 e um sertanejo menos plastificado aparecem como respostas a uma demanda por música que não passa pelo filtro automático.

No eixo de produção musical, o estudo destaca que a repetição de formatos favorece uma oferta com menos variação de melodia, letra e beat. O efeito é a proteção de mercado, com a maquinaria do algoritmo ampliando a escala de estilos já consolidados.

Paralelamente, o envelhecimento da população brasileira influencia os hábitos de escuta. Dados do IBGE mostram aumento da idade mediana de 29 para 35 anos entre 2010 e 2022, sinalizando maior valorização de memórias sonoras do passado.

Nessa linha, surgem fenômenos como a volta de ritmos de bailes, referências a programas de TV, CDs piratas e rádios populares. Dados da pesquisa indicam que o Brasil ainda reconhece o valor do que nasceu fora dos grandes centros.

A discussão aponta ainda para a ideia de que a novidade pode germinar de experiências vividas na rua, nas festas de bar e até nas redes locais, antes de conquistar o ouvido de plataformas globais.

  • Elemento: mudanças no consumo musical
  • Elemento: papel das redes e da nostalgia
  • Elemento: diversidade regional vs. eixo dominante

No conjunto, o estudo sugere que o reset da mesmice pode ocorrer quando a vida cultural brasileira voltar a dialogar com as ruas, evitando que a tecnologia dite sozinha o que é novo. O foco fica em entender como a rua molda tendências antes que elas cheguem às telas.

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