- Espetáculo Boca a Boca, sobre Gregório de Matos, transferiu-se para a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, trazendo a obra para o coração do pensamento intelectual da cidade.
- Ricardo Bittencourt apresenta a performance entre sátiras escatológicas e sonetos religiosos, com sessões às segundas-feiras, às 19h.
- Convidados como Drauzio Varella, Regina Braga e Marina Lima participam de encontros que enriquecem a leitura da peça no espaço da biblioteca.
- A montagem estreou em 2015, passou por Lisboa, Berlim, Salvador e São Paulo, ganhou contribuições de José Miguel Wisnik e ganhou novo desdobramento com lançamento de livro pela Editora Giostri.
- A trilha musical de Adriano Salhab e a interpretação de Gui Vieira como Adão de Marapé conectam poesia clássica a uma energia contemporânea de rock, fortalecendo a leitura crítica da obra.
A Biblioteca Mário de Andrade recebe a montagem Boca a Boca, que investiga Gregório de Matos por meio de uma encenação de Ricardo Bittencourt. A peça, que já circulou por Lisboa, Berlim, Salvador e São Paulo, chega ao espaço paulistano para uma temporada que ressignifica o diálogo entre poesia e crítica social.
A montagem atual preserva traços de sua origem, estreada em 2015 no Instituto Camões, em Lisboa, e evolui com contribuições intelectuais recentes. O espetáculo dialoga com o ambiente da biblioteca, colocando a obra no centro do pensamento literário e histórico da cidade.
A escolha do espaço reforça a ideia de que Gregório de Matos permanece vivo na cultura. O poeta, que enfrentou censura e exílio, retorna ao coração de um polo iluminista, sem perder a energia marginal que o caracteriza.
Contexto
A performance de Ricardo Bittencourt é apresentada como um recital subversivo, com voz camaleônica que alterna entre sátiras escatológicas e sonetos religiosos. As apresentações ocorrem às segundas-feiras, às 19h, na biblioteca, em parceria com o acervo literário que o espaço abriga.
Sob a direção musical de Adriano Salhab, a trilha ao vivo faz referências ao rock clássico. A relação entre poesia barroca e linguagem contemporânea é enfatizada pela sonoridade de guitarras e presença de guitarra elétrica, proporcionando experiência sonora integrada à leitura.
A figura mítica Adão de Marapé, interpretado por Gui Vieira, ganha dimensão crítica. O personagem funciona como elo entre a identidade híbrida brasileira e a tradição de sátira que marcou a obra de Gregório.
Convidados e desdobramentos
A presença de convidados como Drauzio Varella, Regina Braga, Marina Lima e Cristina Mutarelli intensifica o encontro entre ciência, música e teatro. Cada participação agrega perspectivas diversas sem diluir a direção artística da peça.
O formato busca evidenciar a ideia de justiça poética que impulsiona a montagem. A interação entre diferentes áreas do saber reforça a percepção de Gregório como figura relevante para debates culturais contemporâneos.
A dimensão performática evoluiu ao longo do tempo, mantendo a essência de um espaço de leitura e debate. A produção continua a incorporar contribuições de estudiosos e artistas, mantendo o texto vivo e pertinente para novas audiências.
Impacto e continuidade
A trajetória da peça, que já percorreu várias cidades, evidencia a capacidade de Gregório de Matos de dialogar com públicos atuais. O storytelling do espetáculo sustenta uma leitura crítica da sociedade, ao mesmo tempo em que celebra a poesia como forma de resistência intelectual.
Recentemente, a montagem ganhou desdobramentos editoriais com o lançamento de um livro pela Editora Giostri, que oferece material didático para aproximar leitores de Gregório. O movimento editorial amplia o alcance da obra sem transformar o palco em simples referência histórica.
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