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IA não destruirá as artes; é preciso interrogar e colaborar

Festival RBO/SHIFT questiona o papel da IA na ópera, defendendo cooperação entre artistas e máquinas para ampliar possibilidades criativas

A scene from Rite of Spring, by Alexander Whitley Dance Company (at Sadlers Wells East) that uses AI and digitally manipulated technology.
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  • O festival RBO/SHIFT, no Royal Opera House, acontece de 4 a 7 de junho, para debater o papel da inteligência artificial nas artes e na ópera, com foco em colaboração e reflexão.
  • A ópera é citada como campo ideal para analisar tecnologia, unindo música, artes visuais, dança, teatro e cinema, ao longo de séculos de inovação.
  • Embora haja temores sobre substituição de pessoas, o texto afirma que é mais provável que a IA altere formas de trabalho e funcionalidades, não necessariamente substituindo artistas.
  • Aplicações práticas da IA em ópera incluem planejamento de equipes, agendamento, gestão de cenografia e visualização prévia, com impactos possivelmente maiores a longo prazo do que imagens geradas por IA.
  • Questões éticas sobre uso de vozes, textos e trabalhos de artistas são centrais, exigindo leis, controles e proteções, sem deixar de reconhecer a importância de acesso à cultura e ao conhecimento.

O festival RBO/SHIFT, que ocorre no Linbury Theatre do Royal Ballet and Opera, em Londres, entre 4 e 7 de junho, propõe debater o papel da inteligência artificial na criação artística. A programação intercala apresentações, debates e demonstrações, buscando orientar artistas, educadores e público sobre as possibilidades e limites da tecnologia.

Operadores de ópera, criadores, codificadores e pesquisadores discutem o impacto do aprendizado de máquina na produção cenográfica, na composição musical e na preservação de técnicas históricas. A proposta é observar como IA pode ampliar práticas, sem abandonar a tradição ou a qualidade artesanal. O tema se sustenta pela relação entre inovação e ofício.

A curadoria destaca que a ópera sempre dialogou com novas tecnologias desde o século XVII, incluindo iluminação eletrônica, cinema e mídia digital. O festival investiga se IA pode substituir pilares artísticos ou ampliar a colaboração entre humano e máquina, abrindo novas formas de expressão.

Serão apresentados projetos que combinam IA com textos e estilos de Molière, criados por pesquisadores de Sorbonne e pelo coletivo francês Obvious, além de encenações que exploram a voz humana através de IA. A proposta é entender o que a tecnologia pode somar à prática criativa, não apenas imitá-la.

Aplicações práticas da IA também são tema do evento, com foco em planejamento de equipes, gestão de cenografia e segurança de montagem. Técnicas de pré-visualização por IA e visualização de cenários em VR ganham destaque como ferramentas de redução de desperdício e de inovação no design.

O debate envolve questões éticas sobre uso de vozes, textos e imagens criados ou pareados com IA. A organização enfatiza necessidade de proteção de direitos, consentimento e salvaguardas legais, sem descartar a pesquisa criativa nem o acesso cultural.

Além do aspecto artístico, o festival avalia impactos sociais, ambientais e de circulação internacional. A programação sugere que IA pode ampliar a valorização da arte, preservando-a e ampliando o público, ao invés de substituí-lo. A leitura é de equilíbrio entre tradição e inovação.

Questões éticas e aplicações práticas

O conjunto de atividades propõe uma visão abrangente: o que IA pode oferecer aos criadores e como a cultura pode responder a essa tecnologia. O objetivo é fomentar entendimento, diálogo e colaboração entre artistas, cientistas e público.

O RBO/SHIFT ocorre no Linbury Theatre, no Royal Opera House, em Londres, entre os dias 4 e 7 de junho. A organização destaca que o evento não apenas avalia riscos, mas também aponta caminhos para uso responsável e criativo da IA na arte.

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