- Lee “Scratch” Perry, gênio da dub, ganha novo olhar com livro Dub Revolution de David Katz, livro Lee “Scratch” Perry: Black Ark e um álbum com Mouse on Mars, além de reedições de clássicos.
- Katz conheceu Perry em estúdio em Rotherhithe, Londres, e relata uma iniciação inusitada: Perry pediu “13 stones” e “micou” um cão alsaciano durante a conversa.
- O estúdio Black Ark, em Kingston, aberto em 1973, tinha equipamento simples — a mix desk seria comprada por £35 — e ranhuras que renderam discos como Super Ape; Perry usava sigilosas técnicas de gravação e cerimônias.
- Perry abriu espaço para rastafarianos e empoderamento negro; o estúdio sofreu um incêndio em 1982, que encerrou suas atividades, mas seu legado musical permanece influente.
- O momento atual envolve várias novidades: as reedições de discos-chave, o livro ilustrado Lee “Scratch” Perry: Black Ark e o lançamento do álbum Spatial, No Problem, com a colaboração de Mouse on Mars, pela Domino Recordings.
Lee “Scratch” Perry continua em evidência com novas obras que reavaliam sua obra e sua personalidade. Reportagens e lançamentos recentes recuperam a dimensão musical do produtor jamaicano, além de reconstruí-la como parte da história do reggae e do dub.
O material revisitado inclui a ideia de uma iniciação performática de Katz ao conhecer Perry, em um estúdio de Rotherhithe, em Londres. Segundo o relato, o artista exigiu 13 pedras de um país distante, um ritual simbólico que ganhou contornos de hazing e que serviu para revelar o modo singular de Perry trabalhar.
A trajetória de Perry envolve trabalhos decisivos para a música jamaicana. Antes de consolidar-se em Londres, ele influenciou Bob Marley e os Wailers, produziu o álbum Super Ape e criou uma aura de inventividade em estúdios alternativos. Sua técnica incorporou elementos inusitados que viraram marca registrada.
Legado e reavaliação
Nos últimos anos, a visão sobre Perry passa por uma reavaliação crítica. Livros e edições de catálogo reúnem testemunhos de músicos que conviveram com o produtor e destacam sua capacidade de ampliar os limites do dub e do roots reggae. As publicações ajudam a situar o trabalho dele no contexto da música mundial.
O estúdio Black Ark, em Kingston, figura central da produção de Perry. Inaugurado em 1973, o espaço ficou conhecido pela abordagem artesanal e por equipamentos modestos. Ao longo de sua história, o Ark recebeu artistas de diferentes origens, ampliando o alcance sonoro do reggae.
O Black Ark e seus ecos
A proposta de Perry ia além da produção musical: o Ark funcionava como espaço comunitário e espiritual. A atmosfera de inclusão e resistência política esteve presente nas gravações, que refletiam a visão de empoderamento negro. Entrosamentos com o movimento rastafári marcaram o repertório.
O estúdio enfrentou episódios de instabilidade, incluindo reformas mal executadas e um incidente de fogo. Mesmo com o encerramento abrupto das atividades, registros históricos e reedições posteriores mantêm vivo o impacto sonoro da época. A relevância do trabalho dele persiste na história da música negra.
Novo fôlego para o legado
Este ano, novas obras reforçam a importância de Perry para o desenvolvimento da produção musical contemporânea. A publicação de obras como Dub Revolution e estudos sobre o Black Ark ajudam a entender a influência dele na cultura de Jamaica e além. O diálogo entre passado e presente se intensifica com lançamentos colaborativos.
A parceria entre Perry e artistas internacionais, incluindo nomes da cena eletrônica, também é tema de releitura. Discotecas físicas e digitais passam a oferecer material que recontextualiza a década de 1970 e o papel da arquitetura sonora de Perry na evolução do dub e da música de estúdio.
Observa-se, ainda, que a narrativa do artista oscila entre o mito e a prática musical. Enquanto muitos o descrevem como figura excêntrica, a crítica aponta para a inovação técnica que ele trouxe ao estúdio, especialmente no uso de técnicas de binação de som, samples e efeitos sonoros.
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