Zenilda da Silva, uma mulher negra e pobre, cresceu em Pernambuco e viveu dificuldades na infância, incluindo fome. Hoje, aos 44 anos e pesando 133 quilos, ela enfrenta a obesidade e a rejeição social. Zenilda fundou uma cozinha solidária em São Paulo para ajudar a combater a insegurança alimentar na periferia, onde muitas mães, como ela, lutam para alimentar seus filhos. Ela relata que, em casa, frutas e verduras são raras, enquanto alimentos ultraprocessados dominam sua dieta. O Brasil enfrenta uma epidemia de obesidade, com 60% da população acima do peso, e a situação é mais grave entre os mais pobres e as mulheres negras. A responsabilidade pela alimentação da família muitas vezes recai sobre essas mulheres, que enfrentam desafios financeiros e sociais. A pesquisa mostra que o consumo de alimentos ultraprocessados aumentou entre os mais pobres, enquanto as famílias ricas reduziram esse consumo. Além disso, muitas dessas mulheres vivem em áreas com pouca oferta de alimentos saudáveis, o que limita suas opções. A especialista Maria Paula de Albuquerque destaca que a insegurança alimentar não é o mesmo que passar fome, mas sim a falta de opções saudáveis. A obesidade é um problema complexo que envolve questões sociais e econômicas, e não deve ser vista apenas como uma escolha individual.
Zenilda da Silva, uma mulher negra e pobre, fundou uma cozinha solidária no Jardim São Luís, em São Paulo, para enfrentar a insegurança alimentar. Sua história reflete a luta de muitas mães na periferia, que lidam com desafios sociais e alimentares. Aos 44 anos, Zenilda pesa 133 quilos e vive com a dor de ter crescido em um ambiente de escassez.
Desde os nove anos, ela reside na periferia de São Paulo, criando dois filhos sozinha. A única refeição garantida é o almoço na cozinha solidária que administra. Em casa, verduras e frutas são luxos, enquanto alimentos ultraprocessados dominam a dieta. Seis em cada dez brasileiros estão com sobrepeso, e pelo menos 24,3% da população apresenta obesidade, segundo dados do Vigitel.
A epidemia de obesidade no Brasil é acompanhada por uma persistente insegurança alimentar. Dados mostram que o número de obesos dobrou nos últimos dezessete anos, enquanto o sobrepeso cresceu 44%. Mães como Zenilda são frequentemente responsabilizadas pelas escolhas alimentares da família, enfrentando a pressão de garantir a alimentação dos filhos, mesmo que isso signifique sacrificar sua própria saúde.
A nutricionista Daniela Canella destaca que o racismo e a vulnerabilidade social contribuem para o aumento do peso entre essas mulheres. O consumo de ultraprocessados aumentou significativamente entre os mais pobres, enquanto as famílias mais ricas reduziram esse consumo. A pediatra nutróloga Maria Paula de Albuquerque ressalta que a insegurança alimentar não é apenas a falta de comida, mas a incapacidade de fazer escolhas saudáveis.
A desigualdade se reflete nos gastos com alimentação. Famílias com renda de até dois salários mínimos gastam 26% de seu orçamento em comida, enquanto as mais ricas destinam apenas 5%. Ambientes obesogênicos, como desertos alimentares, limitam as opções saudáveis para essas comunidades. A mudança na narrativa sobre a obesidade é necessária, pois a questão vai além da responsabilidade individual e deve ser abordada por políticas públicas.
Entre na conversa da comunidade