- A Fuvest 2027 traz apenas escritoras na lista de obras obrigatórias, com nove títulos, incluindo A Paixão Segundo G.H. (1964) de Clarice Lispector.
- A Paula lispector é apontada como uma das grandes obras de Lispector e dialoga com a obra de Franz Kafka, especialmente A Metamorfose.
- Clarice afirmou, em 1976, ter conhecido Kafka mais tarde, em entrevista ao MIS, sem confirmar se houve inspiração direta em Gregor Samsa para A Paixão Segundo G.H.
- Em ambos textos, há transformação a partir de um inseto: Gregor Samsa vira inseto e G.H. presencia a epifania ao encontrar uma barata.
- A história acompanha a classe trabalhadora, representada por Janair em A Paixão, e questiona a busca pela felicidade, seja pela reflexão ou pela ruptura abrupta.
A Fuvest 2027 divulgou a lista de obras obrigatórias para o vestibular. Entre as nove obras está A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector, publicada em 1964. A curadoria destaca a autoria feminina em todas as obras indicadas.
A seleção é marcada pela presença exclusiva de escritoras. A Paixão Segundo G.H. é apontada por críticos como a grande obra de Lispector, destacando o diálogo com a literatura de Franz Kafka, especialmente A Metamorfose.
Em entrevista realizada no MIS, no Rio de Janeiro, em 20 de outubro de 1976, Lispector afirmou ter lido Kafka apenas mais tarde, após já ter publicado muitos títulos. A revelação destacou sua admiração pelo escritor tcheco.
Apesar de Lispector não confirmar se se inspirou diretamente em Gregor Samsa, a comparação entre os personagens de Kafka e Lispector é recorrente. Ambos protagonizam transformações que revelam questões profundas sobre a vida.
G.H. e Gregor Samsa compartilham o tema central da revelação por meio de um inseto. Em A Paixão, a narrativa acompanha a experiência da empreegada Janair, cuja demissão desencadeia o momento de epifania de G.H.
A obra de Lispector coloca a pesquisadora de anatomia humana diante da aceitação de uma vida que se revela de forma bruta, enquanto Gregor lida com as dificuldades de manter o trabalho e o sustento familiar.
Ambas as histórias conduzem à reflexão sobre a busca pela felicidade, presente na leitura de Lispector e na crítica a Kafka. Lispector, segundo relatos, escreveu A Paixão em um período pessoal difícil, sem que isso tenha sido o foco da narrativa.
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