- A exposição “Schiaparelli: Fashion Becomes Art” no Victoria and Albert Museum, em Londres, abriu no dia 28 de março e enfatiza a relação entre arte e moda na trajetória da designer italiana Elsa Schiaparelli.
- Um suéter simples de ponto fino, preto com fios brancos e um golaço com laço, tornou-se símbolo da revolução de Schiaparelli na década de 1920, popularizando a ideia de moda interativa com arte.
- A mostra destaca como Schiaparelli traduziu o surrealismo para roupas, indo além da decoração e criando peças que eram “imaginação compartilhada” com artistas, como Salvador Dalí e Jean Cocteau.
- A colaboração com a casa de bordados Lesage foi central, permitindo tecidos e bordados artesanais que resultaram em peças icônicas, como o Vestido esqueleto criado com Dalí.
- A curadoria destaca a continuidade da herança criativa sob a direção de Daniel Roseberry, com foco no uso de imagética artística nas roupas e na origem de peças que combinaram humor, novidade têxtil e alta-costura.
The Victoria and Albert Museum abre, em Londres, uma exposição sobre Elsa Schiaparelli que destaca a fusão entre arte e moda. O show, intitulado Schiaparelli: Fashion Becomes Art, estreou em 28 de março e percorre décadas de criação antes da Segunda Guerra Mundial até a retomada pós-guerra.
A mostra revela como a designer italiana levou o Surrealismo para o cotidiano, transformando roupas em obras de arte vestíveis. Seu foco é a ideia de moda como narrativa visual, não apenas vestuário, com peças que dialogam com artistas da época.
A peça que abriga a curiosidade do público é um suéter de alta-gauge, preto com fios brancos, bordado de um colar simples e laço, que ganhou notoriedade na década de 1920. A peça mostra a abordagem lúdica de Schiaparelli, que transformava o comum em ponto de questionamento.
A construção da imagem de Schiaparelli
A exposição traça a trajetória da italiana, nascida em 1890, de uma origem aristocrática em Roma a uma proponente de moda global. Um dos aspectos centrais é como ela se colocou entre inovadores parisienses, incluindo Paul Poiret, para mover o estetismo da época.
O papel das parcerias é destacado: com o ateliê Lesage, para bordados, e com Salvador Dalí, que resultou na icônica Skeleton Dress de 1938. As colaborações davam textura técnica às ideias artísticas, ampliando o alcance de suas propostas.
Impacto cultural e legado
A mostra mostra roupas que misturam humor, provocação e alta-costura, usadas por figuras como Daisy Fellowes e Wallis Simpson. O discurso visual de Schiaparelli dialogava com a cultura pop da época, incluindo cinema e grafismo, tornando a moda uma forma de expressão social.
Ao longo da exposição, o visitante é convidado a observar detalhes como botões que funcionam como pequenas obras de arte, criados por escultores. Esses elementos são apresentados como parte da autoria compartilhada entre artistas e artesãos.
Retorno da moda de arte para o presente
O legado de Schiaparelli, que incluiu a introdução do tom “shocking pink” e formas que desafiam a silhueta, permanece influente na atual direção criativa da casa Schiaparelli. Sob a direção de Daniel Roseberry, a marca segue provocando com peças e referências artísticas.
A mostra permanece em cartaz no V&A até 1º de novembro, oferecendo aos visitantes a leitura de uma trajetória em que moda e arte se entrelaçam para criar roupas que, segundo a curadoria, são também obras de arte em uso.
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