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O boom da ficção online reimagina a história da China

Livro analisa ficção de linha do tempo alternativa na China que reescreve a história com tecnologia e teoria política, reforçando o autoritarismo estatal

Photo-Illustration: WIRED Staff; Getty Images
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  • Um livro de Rongbin Han analisa romances de ficção científica online na China que viajam no tempo para reescrever a história, com destaque para 238 histórias em que personagens trazem conhecimento técnico e ideias políticas para épocas passadas ou recentes.
  • Os textos são extremamente longos, com média de cerca de 2,88 milhões de caracteres, e muitos foram adaptados para filmes ou séries de TV, gerando uma indústria lucrativa de web novels.
  • A obra também examina como esses títulos são censurados, cooptados ou promovidos pelo governo, mantendo, na prática, uma narrativa de “fazer a China prosperar” e legitimando o Partido Comunista Chinês.
  • Ming foi a dinastia mais retratada, seguida por outras no passado e períodos modernos; há exemplos de romances que tentam introduzir sistemas parlamentares ou eleições, ainda que apresentados como experiências hipotéticas.
  • Há uma distinção entre MCGA e MAGA: os romances chineses tendem a defender a China atual e usar lições do passado para fortalecê-la, enquanto MAGA inspira nostalgia política na uma ótica ocidental; o autor afirma que poucos defendem um passado antigo para tornar a China atual mais parecida com ele.

O livro Make China Great Again: Online Alt-History Fiction and Popular Authoritarianism, de Rongbin Han, professor de política chinesa na University of Georgia, analisa um gênero de ficção científica online em que personagens viajam no tempo para reescrever a história da China. Han avaliou 2.100 títulos populares em uma plataforma de web novels e identificou 238 histórias em que as ideias de conhecimento tecnológico, teorias políticas avançadas e reformas econômicas são trazidas de volta a épocas antigas ou mais recentes.

Han afirma ter lido pessoalmente mais de 70 dessas obras de alt-história, além de dezenas de outras online com temas variados para comparação. Segundo o pesquisador, esses romances têm em média 2,88 milhões de caracteres, equivalente ao tamanho da série Harry Potter em chinês. O livro também analisa o contexto político e social ao redor das obras, incluindo censura e promoção governamental.

O estudo destaca o papel das plataformas de web novels na expansão do gênero, com leitores dispostos a pagar para desbloquear capítulos diários. A produção é descrita como uma indústria ampla e lucrativa na China, com várias obras adaptadas para filmes e séries.

Contexto e método

A pesquisa acompanha comentários online em cada título e observa como o governo molda, co-editando ou promovendo as obras. Em muitos casos, as narrativas retocam o passado para exaltar a China, alinhadas às mensagens nacionalistas oficiais.

Temas recorrentes e censura

A análise aponta que, embora grande parte do conteúdo se concentre no passado, as obras raramente desafiam o sistema político atual. Em alguns exemplos, o enredo busca incorporar elementos democráticos, porém de modo hipotético e sem questionar o poder vigente. A censura é citada como obstáculo constante, com obras removidas de plataformas, mas ainda acessíveis por vias alternativas.

MCGA versus MAGA

O autor compara as narrativas a movimentos populistas ocidentais, sob o rótulo Make China Great Again (MCGA). O elo comum é a promoção de narrativas nacionalistas que refletem a visão oficial do Estado. Entre as diferenças, as obras chinesas costumam legitimar o Partido Comunista e evitar críticas diretas ao regime atual, explorando cenários históricos para reforçar valores governamentais.

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