- Tessa Hulls, autora norte-americana de origem chinesa, lançou no Brasil a graphic novel Meus Fantasmas, traduzida pelo selo Quadrinhos na Cia. e apresentada como “Uma Autobiografia em Quadrinhos”.
- A obra revisita três gerações de mulheres da família: a avó Sun Yi e a mãe Rose fugiram de Xangai para Hong Kong em 1949, com a ascensão do Partido Comunista Chinês.
- Sun Yi era jornalista e publicou memórias do período; o trauma resultou em Colapso Mental grave, o que recaiu sobre Rose, criando um ciclo de dor que a neta decidiu romper.
- Foram quase dez anos de pesquisa e viagens à China para investigar as raízes familiares; a criação da história ajudou Hulls a reconciliar-se com a mãe, que já tinha Alzheimer em estágio avançado.
- O livro vincula as tensões políticas do século XX aos laços afetivos, e a autora afirma que o projeto foi bem-sucedido para o relacionamento familiar, mesmo que Rose não tenha conseguido lê-lo.
A autora que venceu o Pulitzer com quadrinho sobre a fuga de sua família da China comunista ganhou destaque no Brasil com a publicação de Meus Fantasmas, uma autobiografia em quadrinhos. A obra, que chegou ao país pela editora Quadrinhos na Cia., retrata a trajetória de três gerações de mulheres da família Hulls.
A história começa no fim dos anos 1940, quando a avó Sun Yi e a mãe Rose fogem de Xangai para Hong Kong com a ascensão do Partido Comunista Chinês, em 1949. Sun Yi era jornalista e chegou a publicar memórias sobre o período; o peso do trauma, no entanto, teve impacto profundo, agravando um colapso mental que se manteve após a fuga.
A partir da relação entre mãe e filha, Tessa Hulls reconstrói a dor familiar em preto e branco, explorando a comunicação interrompida entre as gerações. A autora passou quase uma década investigando o passado, com extensa pesquisa histórica e viagens à China para visitar familiares e vivenciar suas raízes.
O processo de criação coincidiu com um momento delicado na vida de Rose, que já recebia diagnóstico de Alzheimer em estado avançado. Ao assumir o papel de cuidadora, Hulls relata encontrar um fio de esperança, mesmo diante da tristeza que marca a história. O livro, porém, não busca conclusões: apresenta fatos e feridas para compreender o passado.
Meus Fantasmas ganhou holofotes internacionais ao vencer o Pulitzer, repetindo a conquista histórica de Maus, de Art Spiegelman, em 1992, ao combinar jornalismo, memória e narrativa gráfica. A obra de Hulls reforça o papel das histórias familiares na compreensão de acontecimentos políticos do século XX.
Publicado em VEJA em 17 de abril de 2026, edição nº 2991.
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