- José Roberto de Castro Neves, imortal da Academia Brasileira de Letras, tem cerca de sete mil obras de Shakespeare e afirma que o dramaturgo “leu a alma humana” para entender gente complexa.
- O texto relembra 410 anos desde a morte de Shakespeare e a tradição de que ele teria nascido e morrido no mesmo dia, com batismo em de abril.
- A notícia cita a adaptação Hamnet, de Maggie O’Farrell, que narra a dor de Shakespeare com a morte do filho; no elenco, Jessie Buckley atua como Agnes.
- Segundo Neves, a personagem Anne é rebaptizada como Agnes no filme, e ele aponta que Anne era cerca de nove anos mais velha que Shakespeare na época do casamento; o casal não viveu junto devido à distância do trabalho dele em Londres.
- O especialista diz que o livro e o filme são belos e a narrativa supera a “verdade factual”, sugerindo que Shakespeare pode estar vivenciando o veneno da própria ficção.
Há 410 anos morria William Shakespeare, data que marca a passagem do tempo sobre o autor inglês. A história da data de nascimento é incerta, já que o batismo ocorreu em 26 de abril, e a tradição afirma que ele nasceu e morreu no mesmo dia.
À Coluna, o imortal da Academia Brasileira de Letras José Roberto de Castro Neves, grande conhecedor de Shakespeare, acumula cerca de 7 mil livros sobre o tema. Ele explica que a grande leitura da obra está na compreensão da alma humana, não nos rótulos de certo ou errado.
Neves destaca que as peças continuam a dialogar com cinema, teatro e cultura pop, citando a adaptação de Hamnet, romance de Maggie O’Farrell. A protagonista Agnes, interpretada por Jessie Buckley, é apresentada como a figura central de uma narrativa que investiga a dor de Shakespeare pela perda do filho.
Hamnet: o retrato da dor do dramaturgo
O pesquisador observa que a personagem Anne, rebatizada como Agnes no filme, difere dos fatos históricos em alguns pontos. Segundo ele, Shakespeare teria casado jovem com uma mulher mais velha, e a relação foi marcada por separação física devido ao trabalho em Londres.
Mesmo assim, Castro Neves ressalta que o romance e o filme funcionam como uma narrativa rica que pode distorcer a verdade para oferecer uma experiência emocional. O equilíbrio entre verossimilhança histórica e poesia ficcional é destacado pelo especialista.
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