- O documentário “Oní Sáà Wúre – Lavagem da Sapucaí”, dirigido por Saullo Farias Vasconcellos, acompanha Maria Moura, idealizadora da Lavagem do Sambódromo do Rio de Janeiro, em 2011.
- A obra estreou no Festival do Cinema Brasileiro de Paris, no início de abril, e terá estreia no Brasil em outubro, no Festival do Rio.
- Maria Moura, de 95 anos, é figura central do candomblé, militante do Movimento Negro, feminista e advogada, e criou a Lavagem da Sapucaí, famosa como “Carnaval Popular do Rio”.
- O filme utiliza a narração da própria Maria Moura e acompanha a relação com o cineasta, que a conheceu em 2012 na Mangueira.
- O documentário aponta a Lavagem como ato político que denuncia racismo e intolerância à cultura afrobrasileira, defendendo que carnaval também é política.
O documentário Oní Sáà Wúre – Lavagem da Sapucaí acompanha a trajetória de Maria Moura, criadora da Lavagem do Sambódromo do Rio, desde 2011. O filme estreou no Festival do Cinema Brasileiro de Paris, no início de abril, e chega ao Brasil em outubro.
Dirigido por Saullo Farias Vasconcellos, o longa retrata a militante negra, advogada e liderança do candomblé, que usa a Lavagem como expressão de resistência cultural. A produção destaca a relação entre o carnaval e a política da afrodescendência.
A obra também mostra o processso de construção da Lavagem da Sapucaí, evento realizado há 15 anos, antes do último ensaio técnico das escolas do Grupo Especial. O filme coloca o protagonismo das mulheres negras no centro da narrativa.
A relação entre cinema, candomblé e carnaval
Em entrevista publicada pela RFI, Saullo relembra como conheceu Maria Moura em 2012, no Centro Cultural Cartola, na Mangueira. O cineasta destaca o conhecimento profundo dela sobre samba, carnaval e religiões de matriz africana.
O relacionamento entre diretor e personagem tornou-se o fio condutor do documentário, que é narrado pela própria Maria Moura. Saullo registra conversas e visitas à casa da líder, apresentando a história pela perspectiva dela.
A produção é também uma denúncia de racismo e intolerância religiosa. O cineasta afirma que muitos terreiros sofrem violências, ressaltando a necessidade de conhecer e respeitar a diversidade cultural.
Carnaval como dimensão política
Para Saullo, a Lavagem vai além de evento cultural: é uma ação política. A integração da tradição afrobrasileira no Sambódromo é descrita como gesto de resistência das mulheres pretas, mães-de-santo e do samba, segundo o filme.
Durante o lançamento em Paris, Moura fez um discurso sobre o aumento dos feminicídios no Brasil, enfatizando que mulheres continuam correndo riscos reais e cobrando resposta das autoridades. Ela viaja aos 95 anos para manter a luta.
Segundo o diretor, a viagem de Moura à França reforça o impacto da obra. A cineasta afirma a importância de amplificar a mensagem, destacando que a trajetória da líder se baseia na denúncia constante de injustiças.
Perspectivas de exibição e eventos futuros
O documentário terá estreia oficial no Brasil em outubro, no Festival do Rio. Além disso, Saullo inscreveu a obra em festivais internacionais, como Biarritz e Xangai, com o objetivo de ampliar o diálogo sobre carnaval e afrodescendência.
Saullo é também fundador da associação La Terreirada, em Paris, que promove a cultura brasileira. Em maio haverá evento dedicado ao Super 8, com a presença do cineasta Ivan Cordeiro. Em junho haverá festa junina e, em julho, festival de verão com exibição prevista da Lavagem da Sapucaí.
Entre na conversa da comunidade